08/04/2021 às 16:15 Resenhas de Discos

Resenha do disco "Leviathan", da banda Therion

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Foi Helena Blavatsky, escritora considerada a “mãe do ocultismo moderno”, quem propôs classificar diferentes grupos filosóficos – como a Igreja Católica, Maçonaria, Rosa Cruz etc – entre caminho da mão esquerda e caminho da mão direita.

Ordens que seguem o caminho da mão direita utilizam em sua maioria práticas e métodos convencionais, morais, compatíveis na sua maior parte com o entendimento social moral de espiritualidade que a sociedade tem. Por exemplo: oração, velas, caridade, devoção e preces.

caminhos da mão esquerda utilizam métodos mais chocantes como a sexualidade sagrada, o uso de substâncias psicoativas como álcool, ervas e alucinógenos para indução de transe e até a ingestão de carne vermelha em rituais.

Historicamente, as letras do Therion abordam diversos temas ocultistas – tendo sempre como base os ensinamentos da Dragon Rouge, ordem draconiana que segue o caminho da mão esquerda.

Em "Leviathan", novo trabalho dos suecos, vemos uma verdadeira miscelânea de referências às mais diversas correntes filosóficas e espiritualistas, evidenciando que o sincretismo e a vontade de abarcar o misticismo como um todo está presente.

Tem música sobre mitologia finlandesa (“Tuonela”), Antigo Testamento (“Leviathan”), mitologia chinesa (“Ten Courts of Diyu”), deuses Astecas (“Eye of Algol”) e por aí vai.

Musicalmente, o disco é uma aula de metal sinfônico: coros entrando certeiros no arranjo, vozes masculinas e femininas em sintonia, melodias meditativas e uma ambientação que leva o ouvinte realmente a sentir o poder dessas temáticas profundas.

Destaques para “Leviathan” e seu refrão épico feito para cantar junto, além de “Tuonela”, último registro de estúdio com participação de Marko Hietala (Nightwish) antes do músico anunciar uma pausa em sua carreira para refletir sobre o mercado da música e questões pessoais.

“Nocturnal Light” é outra que merece atenção. A soprano Lori Lewis – em conjunto com o guitarrista e mentor da banda, Christofer Johnsson – entregam um balanço sublime entre o sensível e o agressivo. Coisa de quem já faz isso há muito tempo e entendeu uma coisa ou outra sobre composição de metal sinfônico.

Por fim, “Leviathan” é o melhor disco do Therion em muitos anos, elevando a moral da banda e fazendo o grupo retornar triunfante ao patamar de discos clássicos como “Lemuria” e “Sirius B”.

Resta a torcida para que a fonte não seque e as chocantes ordens da mão esquerda continuem influenciando e inspirando o grupo para criar composições ainda mais transcendentais como essas. Assim seja.

Adquira "Leviathan" diretamente no site da Shinigami Records.

08 Abr 2021

Resenha do disco "Leviathan", da banda Therion

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