16/02/2023 às 22:13 Entrevistas

Entrevista com Eric Martin (Mr. Big)

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Eric Martin é a voz do Mr. Big e sem dúvidas marcou uma geração com hits históricos. Em 2023, o vocalista retorna ao Brasil para shows em nove datas acompanhado da banda Rolls Rock, formada por Edu Costa (vocal e guitarra), Mau Seliokas (baixo), Cris Ribeiro (teclado) e Francis (bateria).

A colaboradora Beatriz Cardoso conversou com Eric Martin, que quase revelou a identidade do novo baterista do Mr. Big! Confira abaixo!

Em 2022, você visitou o Brasil duas vezes. Agora em 2023, você vai voltar ao nosso país. Nessas ocasiões a banda Rolls Rock tocou com você. Como surgiu essa parceria de sucesso?

Eles entraram em contato comigo. Havia muito tempo que eu não visitava a América do Sul. Então, o Rick, da Free Pass, me ligou e disse que esses caras estavam querendo tocar. Acabou que em um primeiro momento a coisa não foi para frente por causa da pandemia de covid. No final do ano passado, finalmente aconteceu. Tive sorte de encontrar esses caras, nem lembro quantos shows fizemos. Acho que foram uns seis shows. A banda é muito profissional. Uma das melhores bandas covers do Brasil. Percebi que eles são grandes fãs do Mr. Big. Fiquei impressionado quando começamos a ensaiar. Foi um sentimento estranho perceber a música que saía dos amplificadores. Era igualzinho ao que foi gravado nos discos originais! Já toquei com muitas pessoas que fazem cover de Mr. Big, mas eles trazem suas próprias interpretações. Dessa vez, eles foram meticulosos em aprender certinho. Ficou bem parecido com o Paul Gilbert e o Billy Sheehan. Quando estava no palco, decidi ir perto da plateia e ficar assistindo os caras tocarem, como se eu fosse um fã! [risos]. Eles faziam umas coreografias. Falei que eles não precisavam se vestir caracterizados, mas acho que eles não entenderam muito bem! Eles estavam se maquiando e tudo! [risos]. Tinha um cara que era o tradutor entre nós também. Todo mundo estava curtindo, sabe? Gosto de estar com músicos que curtem tocar em shows. O engraçado é que eu estava vestido com um pretinho básico e os caras estavam muito bem vestidos!

O Jeff Scott Soto vai tocar no Brasil em breve também. Vocês já fizeram shows juntos e gravaram a música “Mysterious”. Será que rola mais alguma colaboração entre vocês? Talvez um álbum completo?

Lembro que fiz parceria uma vez com o Richie Kotzen e percebi que nos conectamos bem. Aí falei: ‘Richie, vamos fazer um álbum solo?’. Aí ele foi lá e fez um álbum com o Adrian Smith! [risos]. Eu perdi o barco! Agora, no caso do Jeff, ele está tocando com várias pessoas também. Acho que sempre chego atrasado para fazer algo com ele. Tempos atrás, quis fazer uma parceria com o Steve Lukather, do Toto. Quase deu certo, mas não rolou! Mas eu amo o Jeff e nos falamos muito. Eu gosto dele porque ele não fica me enchendo a bola falando que sou o melhor cantor do mundo. É como um irmão, sabe? Temos muitas coisas em comum musicalmente. Ambos tocam com o Billy Sheehan, por exemplo. Tive um grupo por um tempo chamado Scrap Metal. Era uma superbanda dos EUA e nós tocávamos em cassinos de Las Vegas. O Jeff também fazia parte disso. Ou seja, tocamos juntos muitas vezes. Dessa vez, vamos fazer alguns shows juntos. Agora, não gosto de beber com ele, sabe? A bebida não afeta a ele da mesma forma que me afeta! Talvez porque sou mais velho! [risos]. Eu já fui jovem e já bebi caipirinha. Não sei falar muito bem essa palavra. Uma vez, ele começou a me dar umas bebidas. Eu tinha umas entrevistas e tirei fotos. Só que eu não lembro de nada disso! [risos]. Ele é um dos meus melhores amigos, com certeza.

Existe alguma música que você nunca cantou ao vivo e gostaria de ter cantado?

Essa resposta é bem longa! [risos]. A música “A Whiter Shade of Pale", do Procol Harum, é ótima. Vi uma vez o Glenn Hughes fazer um cover e a plateia ficou louca. Essa música tem um verso maravilhoso, com palavras diferentes. O refrão é de uma emoção muito grande e bonita. Adoraria fazer uma música assim ao vivo. Mas será que eu só imitaria o Glenn Hughes? Ou faria por causa do sentimento que isso me causaria? Se a plateia estivesse comigo, seria melhor ainda. Fico muito animado com essas coisas. Agora vou contar outro sonho. Nos EUA, temos o Super Bowl. Eu assisti por causa dos shows e da Rihanna! [risos]. Tem um artista chamado Chris Stapleton que cantou o hino nacional e a voz do cara é inacreditável! Ele toca guitarra também e fiquei impressionado. Falei para um amigo que quando eu crescer queria ser esse cara! Se eu tivesse ouvido um cara assim quando eu tinha dezoito anos, teria repensado minha voz. Será que não seria melhor servir ao Exército como meu pai queria? Não sei se conseguiria virar cantor e competir com esse cara!

Quais são suas expectativas com o retorno do Mr. Big? Pode dar uma dica sobre quem é o novo baterista?

Eu sei que você é jornalista e tem que perguntar isso, né? [risos]. Nessas décadas de Mr. Big, sempre soltei informações sem querer em entrevistas! Eu tenho uma boca grande. Não posso te dizer quem é o baterista, porque isso me causaria problemas! Ele é um cara ótimo. Ele já tocou com o Paul Gilbert, porque foi sugestão dele. Ah, é um homem. Eu nunca o encontrei pessoalmente, embora saiba quem ele é. É um nome forte! O Paul o adora. Ouvimos algumas coisas dele e tal. Tínhamos outros nomes para considerar. Eu não quero um novo Mr. Big, sabe? Quero a sonoridade antiga de volta. Não gosto de mudanças. Tem que ter uma evolução, claro, mas os timbres e essas coisas todas são importantes. As pessoas amam essas coisas. Imagina se o Led Zeppelin decidisse do nada tocar reggae! Gosto dos timbres que o Pat Torpey tinha. A caixa tinha um crack especial. Você conseguia ouvir quando ele batia forte. Ele era um cara forte, sabe? Quando vimos esse cara novo tocando, percebi que ele atendia esse quesito. Tem uma música que o Paul Gilbert fez uma nova versão e enviou para o novo baterista. Ele resolveu impressionar e tocou bem na pegada do Pat. Ele cantou também as harmonias! O cara está querendo pegar meu emprego! [risos]. Por isso bati o martelo com esse cara. Já vi ele fazendo umas coisas de rock progressivo. Ele é muito fã do Paul, isso me convenceu. Estou muito animado com esse retorno. Sou tipo uma líder de torcida da banda, sabe? O Billy sempre estava ocupado com o The Winery Dogs, eles estão arrasando lá. Mas sempre pensei nesse retorno. Falei com o Richie um tempo atrás e disse que ele melhorou muito como vocalista e compositor. Essa será a turnê final do Mr. Big. Temos várias datas marcadas e estamos trabalhando logisticamente para que todos da banda tenham tempo livre. Tomara que o The Winery Dogs não fique tão famoso para que não atrapalhe! [risos]. Recebi um e-mail agora do Paul Gilbert, ele disse que não pode esperar por isso! Vou voltar para a América do Sul pela terceira vez! Para mim, parece que estou vindo muitas vezes! Logo depois, vou para a Alemanha ensaiar com o Avantasia para um show. Depois, volto para o Summer Breeze! Estarei aqui quatro vezes nos próximos seis meses! Preciso procurar um apartamento! [risos].

 

16 Fev 2023

Entrevista com Eric Martin (Mr. Big)

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