13/01/2023 às 20:19 Entrevistas

Entrevista com Geoff Tate (Ex-Queensrÿche)

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4min de leitura

Geoff Tate fez história no Queensrÿche e desembarca no Brasil para uma série de shows nos dias 19, 20 e 21 de janeiro de 2023 no Rio de Janeiro, São Paulo e Limeira, respectivamente.

A jornalista musical Beatriz Cardoso conversou com o vocalista e os assuntos foram desde a participação do músico no Avantasia até o icônico álbum “Empire”. Boa leitura!

Os shows no Brasil precisaram ser adiados porque você passou por uma cirurgia no coração. Como está se sentindo agora?

Me sinto ótimo! Estou energizado. Me sinto 30 anos mais novo! [risos].

No começo dos anos 1990, o Queensrÿche veio ao Brasil no Rock in Rio. Isso foi na época do aclamado álbum “Empire”. De que maneira isso te marcou?

Acho que viajar sempre nos enriquece como pessoa. Você vai em lugares que nunca foi e passa por desafios. Viajar para o Brasil e para a América do Sul de maneira geral é algo que sempre curti. Especialmente no começo da minha carreira. Quando fomos pela primeira vez e encontramos nossos fãs.

Agora, honestamente, sempre gostei da possibilidade de poder viajar pelo mundo e interagir com seres humanos. Todos nós somos parecidos de alguma forma. Acho isso muito legal. Gosto desse movimento.

A música “Silent Lucidity” é o maior sucesso do Queensrÿrche no Spotify com mais de 67 milhões de steams. Quando você a ouviu pela primeira vez, já sabia que seria um sucesso?

Você nunca sabe, né? Na verdade, foi uma surpresa esse sucesso todo. Existem tantos fatores que fazem com que uma música se torne um sucesso. Claro que a qualidade da canção é fundamental, mas também tem a questão de como ela foi vendida na época. A questão do marketing, da repetição que ela teve. Ou seja, as músicas precisam de tempo para entrar na sua mente. Depois, elas nunca saem! [risos].

Anos atrás, falei com o presidente da nossa gravadora EMI. Estávamos tendo bastante sucesso com o “Empire” e perguntei qual era a chave para nosso sucesso. O que eles tinham feito que fez com que o disco ficasse tão grande? Ele disse que não fazia a mínima ideia! Apenas reconheceram que as músicas poderiam ser tocadas pelas rádios. Claro que foi investido uma grana forte aí. Uns US$ 6 milhões só em promoção do disco. Hoje em dia, as coisas funcionam diferente. Sou grato por isso ter acontecido!

Muitas bandas dos anos 1980 falam sobre temas fantásticos nas letras. Você sempre escreveu sobre assuntos mais políticos e sociais. Você acha que por isso discos como “Empire” ainda são tão relevantes até hoje?

Isso é verdade. Ainda estamos lidando com muitos desses problemas sociais até hoje. Não mudou muita coisa. Acho até que pode ter piorado. Essas músicas fazem você pensar. Essas são as músicas que permanecem com você.

Em 2019, você veio ao Brasil com o Avantasia e foi a última ocasião em que Andre Matos subiu em um palco antes de falecer. Você chegou a conversar com ele?

Não, infelizmente não tive essa chance. Na verdade, eu só encontrei com ele naquela ocasião e depois ele se foi. Isso foi uma situação bastante trágica e estranha.

Agora em 2022, você cantou na música “Scars” no último álbum do Avantasia. Como foi a experiência de se juntar a esse projeto novamente?

Foi uma coisa limitada por causa da pandemia, claro. De qualquer forma, nós conversamos muito. Foi ótimo poder nos falar de novo. Adoro trabalhar com o Tobias Sammet. Todo o projeto é ótimo. Fizemos essa turnê fantástica pelo mundo em 2019. Gostaria de novamente fazer isso, mas depende das nossas agendas.

No álbum “Rage For Order”, vocês fizeram uma versão incrível do hit “Gonna Get Close To You”, original da Dalbello. Ela foi sua professora, é verdade isso?

Não, na verdade o professor que tive na época foi um homem chamado David Kyle. Escolhemos essa música por uma questão de prazo. Precisávamos concluir e não tínhamos muito tempo. Naquela altura da nossa carreira, estávamos bem conscientes de que o orçamento estava curto.

No álbum anterior, tínhamos gastado muito. Então, durante um ensaio, essa música surgiu. Do nada as coisas aconteceram e não conseguimos nos desvencilhar. Fizemos essa versão e tocamos para nossos empresários. Todos amaram. De alguma forma, se encaixou no disco, porque colocamos nossa interpretação! Todos gostaram muito.

O Sweet Oblivion lançou dois álbuns já e vocês tiveram muito sucesso. Você tem planos para um novo álbum, turnê ou algo assim com a banda?

Bom, estamos começando a falar sobre um terceiro álbum já. Entramos em contato com a gravadora e as coisas devem começar em breve. Talvez agora em 2023 teremos material inédito!

Quais são os 5 discos que mais te influenciaram na vida e por quê?

Acho que um seria o ‘Dark Side of the Moon’, do Pink Floyd. Ele todo é uma obra-prima. Outro seria o ‘Close to the Edge’, do Yes, que saiu nos anos 1970. Esse álbum me inspirou muito e até hoje escuto. Fiz uma viagem recente de carro e me perdi ouvindo! Esse eu levaria para uma ilha deserta! [risos].

Outro do Pink Floyd: ‘Wish You Were Here”. É um álbum brilhante e profético. Depois, talvez o “The Lamb Lies Down on Broadway”, do Genesis. Lembro bem quando ele saiu e adoro todas as músicas. Estou tentando citar discos que amo todas as músicas. Alguns só gosto de umas três. Bom, o “Destroyer”, do Kiss, também é ótimo. Acho que o bônus seria o álbum de 1982 do Peter Gabriel, o ‘Securty’. Todas são excelentes!

13 Jan 2023

Entrevista com Geoff Tate (Ex-Queensrÿche)

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