24/10/2022 às 19:11 Entrevistas

Entrevista Julia Lage (Smith/Kotzen, Vixen)

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A baixista brasileira Julia Lage é sinônimo de trabalho duro e diversificado. Isso porque ela é quem está por trás do baixo das bandas Smith/Kotzen, Vixen e Sisters Knot – além de sua própria carreira solo.

Conversei com Julia Lage sobre seu trabalho e como é estar em uma banda com Adrian Smith, o lendário guitarrista do Iron Maiden! Boa leitura!

Gustavo Maiato: Quais foram os comentários que você mais ouviu sobre o novo álbum de estreia do Smith/Kotzen, que leva o nome do projeto? Qual música deu mais trabalho para tirar?

Julia Lage: Os comentários têm sido ótimos! Acho interessante que todos se conectam com o fato de eu ser brasileira. Então, falam tipo: ‘Olha só! Uma baixista! E é brasileira!’. O povo brasileiro sempre é muito engajado nas redes sociais. Vejo muitos comentários de brasileiros e para mim é super gratificante. Dizem que estou representando!

Agora, a música que me deu mais trabalho foi a “Rise Again”, que saiu no EP “Better Days”. Foi a última música do EP. O Ritchie resolveu baixar o Billy Sheehan nele! [risos]. Começa com um shred de baixo. Perguntei: ‘Vocês vão querer tocar isso ao vivo? Então, bora!’. Fiz uma adaptação, o Richie me passou umas dicas do que fazer. Afinal de contas, muitos baixistas provavelmente tocariam igual ao Billie Sheehan, mas eu não sou o Billy! [risos].

Gustavo Maiato: Historicamente, as duplas formadas por guitarristas e baixistas sempre chamam atenção nas bandas de rock. No seu caso, como é tocar o baixo enquanto Adrian Smith, do Iron Maiden, toca guitarra?

Julia Lage: O Adrian é super tranquilo. Ele quer tocar, se divertir e fazer a parte dele. Para ele, foi algo muito importante esse projeto, porque ele divide os vocais com o Richie Kotzen. No Iron Maiden, ele faz os backs, mas não faz os leads – os vocais principais. Aqui, ele canta também.

Todos estavam meio nervosos, sabe? Inclusive ele! Era aquela expectativa de será que vai dar certo? Será que vai soar bem? Nos ensaios, foi quando caiu a ficha de que está legal, todos estavam confiantes. Eu estava tocando do lado dele e por mais que ele seja o cara do Iron Maiden, para mim e para ele, estávamos nervosos e empolgados iguais.

A energia estava muito gostosa também. Depois dos shows, nos abraçávamos e tudo mais. Ele é uma pessoa normal como qualquer outra, apesar de estar na maior banda de metal de todas. Foi uma experiência surreal dividir com ele o palco!

Gustavo Maiato: Na sua carreira solo, você lançou o single “Wake Up”. Como é levar em paralelo essa banda solo e suas outras bandas?

Julia Lage: O Smith/Kotzen também tem as carreiras deles. O Smith com o Iron Maiden e o Richie com o The Winery Dogs. Então, quando eles estão fazendo essas coisas, também toco meus projetos. Tenho esse projeto solo, que estou finalizando o álbum! Faz anos que quero fazer isso e sempre algo impede. Esse ano se deus quiser eu fecho.

Em paralelo, tenho outra banda chamada The Sisters Knot, com música original e tudo. Recentemente, entrei na Vixen, que é só de mulheres lá dos anos 1980. Isso tem me ocupado muito tempo, mas é gostoso dividir o palco com as mulheres, que tocam rock muito bem! Sempre tem coisa para fazer! [risos].

Gustavo Maiato: Você toca na Vixen, que é só de mulheres; No Smith/Kotzen, você é a única mulher. Tem diferença?

Julia Lage: Depende das mulheres. Sempre toquei com mulheres e não era uma escolha minha. Acontecia sempre. Para mim, são musicistas. Não olho como se fossem mulheres. Estamos tocando e suando. No fim do show, todos estão acabados. Estamos fazendo rock.

Com os meninos, é a mesma coisa. Todos querem fazer rock. Sempre toquei com homens na banda e sempre me dei bem – tanto com homens quanto com mulheres. Como qualquer musicista mulher, sou meio ‘Joãozinho’, sabe? [risos]. Sempre brinquei de carrinho e chutei bola. Tenho um bom balanço entre o meu lado feminino e masculino. Claro que na hora de ir ao banheiro falo para trancar a porta! [risos].

Gustavo Maiato: Você começou no sertanejo/forró com a banda Barra de Saia. No Brasil, esses estilos são muito fortes. Depois, você viveu o lado do rock. Muitos dizem que o sertanejo é muito forte e está na frente do rock, pelo menos no quesito popularidade e força de mercado. Você entende assim também?

Julia Lage: Comecei a tocar baixo por causa do rock e não por causa do sertanejo. Eu estava no Conservatório Souza Lima e estavam procurando uma baixista mulher para essa banda sertaneja. Acabei entrando. Eu tinha 17 anos e era bem desconectada do que eu queria fazer.

Acabei ficando lá por 13 anos porque é um mercado muito grande no Brasil. Para mim, na época, era muito maior do que o rock. Viajamos muito e fizemos um monte de festival. Tocamos muito na rádio e na TV. Toquei na Avenida Paulista para 2,5 milhões de pessoas. Realmente, era muito grande o mercado. Faz muitos anos e a banda, no começo, era só de mulheres.


24 Out 2022

Entrevista Julia Lage (Smith/Kotzen, Vixen)

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