18/01/2022 às 19:31 Entrevistas

Entrevista exclusiva com Steffen Kummerer (Obscura e Thulcandra)

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6min de leitura

Recentemente, bati um papo com o guitarrista e vocalista Steffen Kummerer – o cara por trás das bandas Obscura (technical death metal) e Thulcandra (black metal). As duas lançaram álbuns inéditos em 2021, que foram muito bem recebidos pelos fãs.

Conversamos um pouco sobre cada banda e também sobre sua guitarra signature da ESP, inspirações por trás das músicas, como tocar e cantar ao mesmo tempo e muito mais! Boa leitura!

Gustavo Maiato: Como está sendo a reação do público com o novo álbum “A Valediction”? Você está feliz com o resultado que a banda alcançou?

Steffen Kummerer: Sim, definitivamente. Temos alguns shows e festivais marcados. Lançamos quatro clipes e tem outros vindo. Vamos fazer vídeos ao vivo também. Esse processo nunca termina. Até agora, pelo que sinto, o feedback tem sido positivo. Posso dizer que esse trabalho serviu como um grande passo para frente na história da banda.


Gustavo Maiato: Algumas letras de “A Valediction” falam sobre o que acontece após a vida, só que sem entrar muito no âmbito religioso. Estou certo nessa interpretação?

Steffen Kummerer: Você pode interpretar as músicas de vários pontos de vista. Mas você está certo! Eu não quis colocar aspectos religiosos. Não me interesso muito nisso. Até porque você é bombardeado com esses assuntos toda hora. A ideia é descobrir como lidar com a perda.

Gustavo Maiato: Esses temas relacionados ao espaço e universo continuam presentes. De onde surgiu essa fascinação com essa temática?

Steffen Kummerer: Continuo interessado nesses temas, mas já fizemos quatro álbuns nessa pegada. Muitas músicas estavam conectadas. Então chegou a hora de pensar algo novo. Nessa nova trilogia, vai ter coisa nova. O “A Valediction” é o primeiro. Eles estarão conectados, vou poder escrever letras mais digeríveis. Vai ter coisa sobre espaço, mas não será o foco principal.

Gustavo Maiato: Já que você é fã dessa onda de espaço e universo, quais livros ou filmes nessa pegada você curte?

Steffen Kummerer: Nesse novo álbum, li um livro chamado “Neuromancer”. Também li o clássico “Solaris”. Esses temas fazem parte do que eu sou, mas não é apenas isso. Tenho a biografia do Rob Halford na minha prateleira. Quem sabe posso começar a ler algo diferente daqui a pouco? Não quero me limitar. Tenho uma mente livre.


Gustavo Maiato: Um traço marcante da sonoridade do Obscura sempre foi o baixo. Aquelas linhas animais de baixo fretless! Como surgiu a ideia de abraçar esse estilo particular dentro do instrumento?

Steffen Kummerer: Isso começou quando ouvi discos clássicos como o “Human”, do Death, e o “Focus”, do Cynic. Nesses casos, o baixo sempre esteve muito presente. Simplesmente trabalhamos essa ideia de ter o baixo de igual para igual com a guitarra. Nos últimos 15 anos, desenvolvemos um equilíbrio: o baixo fica mais livre. Ele fica solto. Tem esse feeling do fretless. A guitarra rítmica fica mais precisa. Para mim, é interessante ter essa ferramenta a mais. Pensando no arranjo, isso me ajuda muito. Na hora de compor, tenho mais opções do que fazer dentro de uma música.

Gustavo Maiato: Uma das músicas mais famosas do Obscura é o clássico “The Anticosmic Overload”. Você se lembra da composição dela?

Steffen Kummerer: Essa música foi composta em 2005, quatro anos antes de nós gravarmos o álbum “Cosmogenesis”, onde a música está. Gravei em uma fita cassete! (risos). Não tinha condições de gravar direito, então anotei os arranjos em uma folha de papel e toquei umas mil vezes até decorar! (risos). Levou um tempão! A música acabou mudando ao longo dos anos. Toquei essa música com três formações diferentes até finalmente gravar. A música mudou então, em alguns vídeos ao vivo de 2006 ou 2007 você pode notar a mudança. Agora, o tema principal está lá. Aquela melodia que fica na sua cabeça. Isso estava lá desde o começo! Nessa música, combinamos o lado bem técnico do death metal, que estava popular nos EUA, com uma melodia bem europeia. Se você ouvir as bandas de death metal suecas, tem uma melodia lá. Ah, e também combinamos com o baixo fretless. Então ficou algo bem inovador. Essa foi uma daquelas músicas nossas que nos tornou bastante popular.


Gustavo Maiato: Os solos e riffs do Obscura são muito técnicos! Como você consegue tocar e cantar ao mesmo tempo? Quais conselhos você daria para quem deseja dominar essa habilidade?

Steffen Kummerer: Basicamente, no palco tenho três tarefas: sou o guitarrista, o vocalista e também o cara que entretém o público. O que posso aconselhar é: aprenda muito bem as partes de guitarra antes. A ponto de você nem se importar mais com a parte instrumental. Tem que ser tipo um piloto-automático. O foco precisa ser na performance vocal e em entreter o público. Ser o frontman.

Gustavo Maiato: Quais dessas três tarefas é mais difícil para você?

Steffen Kummerer: Acho que tudo precisa ser equilibrado! Se você for muito ruim em uma das partes, não vai funcionar! (risos).

Gustavo Maiato: Como foi desenvolver seu modelo signature da ESP?

Steffen Kummerer: Eu estava buscando uma marca de guitarra para ser minha parceira. Então encontrei a ESP. Nós ajustamos o shape para ficar com uma tocabilidade maior. Eu visitei a fábrica da empresa em Tóquio e foi muito legal a experiência. Eles escutam nosso tipo de música. Ajudam a decidir sobre qual madeira deve ser usada. Uma vez, tive um problema na conexão do braço com o corpo. Era um problema alcançar as notas além da décima-quinta casa. Então, eles mudaram o shape. Isso ajudou muito. A guitarra ficou mais leve. É um instrumento fantástico! Em breve, devemos lançar uma versão de sete cordas!


Gustavo Maiato: Além de ser integrante do Obscura, você também está na banda de black metal Thulcandra. Aliás, vocês acabaram de lançar o álbum “A Dying Wish”. Qual o segredo para arranjar tempo de lançar dois álbuns no mesmo ano?

Steffen Kummerer: Você precisa de uma pandemia para isso! A verdade é que o Obscura era para ter sido lançado no ano anterior. A pandemia forçou o adiamento das gravações. Precisamos cancelar os primeiros dias de gravação no estúdio. Isso nos custou uns 6 meses. O Thulcandra já estava agendado. Vivemos bem perto uns dos outros, então tudo era mais fácil. Não foi planejada essa coincidência de lançamentos. Acabou que um foi lançado com três semanas de diferença do outro! Foram dois álbuns muito bem recebidos.

Gustavo Maiato: O clipe da música “A Dying Wish” é uma superprodução! Você ficou satisfeito com o resultado? Fiquei curioso sobre a mensagem que a banda quis passar com aquela moça na banheira.

Steffen Kummerer: Esse vídeo foi produzido por uma empresa famosa da Polônia. Eles fazem clipes do Arch Enemy e outras bandas. Eles sugeriram essa história para o clipe. No meu entendimento, a inspiração veio de um filme que aparece uma mulher jogando xadrez com o diabo. Na nossa versão, a mulher decide tirar a própria vida. Ela está lá sangrando e perde o jogo. Não tem um final feliz!



Gustavo Maiato: Bom, é uma banda de black metal, né? (risos)

Steffen Kummerer: Sim! Exatamente! Fizemos outros vídeos também. Foram bem recebidos. É incrível o feedback que temos, principalmente aqui na Europa. A banda está crescendo ano a ano. O problema tem sido esses adiamentos de shows. Todos precisam lidar com isso.



Gustavo Maiato: Você tem essas duas bandas que são de gêneros diferentes. Quando você está em casa compondo e surge uma ideia na sua cabeça, como você decide se encaixará a ideia em uma música do Obscura ou do Thulcandra?

Steffen Kummerer: Separo as bandas muito bem uma da outra. Quando componho para o Thulcandra, preciso ter em mente que estou compondo músicas para essa banda em particular. E nada mais que isso. Até hoje, nunca passei por essa situação de precisar decidir entre uma banda ou outra. Começo a trabalhar em um álbum e vou até o fim. Depois, começo outro. Preciso mudar a mentalidade. É assim que funciona para mim. Não consigo ficar alterando. Não consigo compor uma música para uma banda em um dia e no dia seguinte para outra.

18 Jan 2022

Entrevista exclusiva com Steffen Kummerer (Obscura e Thulcandra)

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