07/12/2021 às 12:33 Entrevistas

Entrevista com Anton Kabanen (Beast in Black) – “Tocar com o Nightwish abriu muitas portas!”

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O Beast in Black é um verdadeiro fenômeno do power metal contemporâneo. Capitaneado pelo guitarrista finlandês Anton Kabanen (ex-Battle Beast), o quinteto acaba de lançar o novo disco “Dark Connection”, pela Nuclear Blast.

Bati um papo exclusivo com o Anton, onde conversamos sobre as inspirações por trás do novo disco, cultura japonesa, memórias da turnê com o Nightwish e muito mais! Confira a íntegra da entrevista aqui embaixo!

Gustavo Maiato: Quais foram as principais inspirações por trás do novo álbum “Dark Connection” (2021)?

Anton Kabanen: O processo de composição, como sempre, foi muito prazeroso. Foi uma combinação de coisas do nosso passado e do presente. Dei uma olhada nos meus arquivos onde guardo composições dos últimos 15 ou 20 anos! Procurei riffs, melodias e acabei reunindo cerca de 20 boas ideias.

Claro que também compus coisas novas ao longo do caminho. Quando ouço esse material antigo, me sinto inspirado para escrever coisas novas. Sempre surge algo novo na minha cabeça.

Então, toquei essas 20 músicas para a banda e começamos a filtrar até sobrar apenas 11 faixas. Eu sempre falo para mim mesmo: “Não trabalhe com mais de 10 músicas!”, mas sempre acabo escolhendo mais!

Gustavo Maiato: Vocês acabaram de lançar um clipe animado incrível para a música “One Night in Tokyo”. O estilo foi bastante influenciado por animes japoneses, certo?

Anton Kabanen: O tema dessa música é um híbrido entre a vida real e a ficção. Estivemos várias vezes no Japão, estive lá com minha banda anterior, o Battle Beast também. Eu me inspirei com essas visitas e a animação do clipe foi basicamente inspirada pela cultura japonesa.

Para ajudar na criação do clipe, chamei meu grande amigo Ere Ek e a diretora Katri Ilona Koppanen. Nós três escrevemos o roteiro juntos. O brainstorm foi tipo: “quando você passa uma noite em Tóquio, qualquer coisa pode acontecer!”. Essa foi a ideia por trás da letra.

Eu tinha em mente que a história do clipe e a letra precisavam se relacionar, mas a história poderia ser expandida. A letra é muito pequena, então não tem muito espaço para trabalhar. Foi muito divertido todo esse processo! Eu e o Ere discutimos o conceito, nunca tinha trabalhado nesse esquema de minigrupo. Foi divertido e bem rápido.

A animação foi feita por alguns artistas finlandeses que são muito fãs da cultura japonesa também. Então, como tínhamos uma agenda apertada, sabia que podia confiar nos instintos deles.

Acabou que eles fizeram um monte de animações, mas a música só tem 3 minutos! Precisamos cortar algumas partes para caber. Eles mudaram a técnica de animação utilizada também. No começo, seria pixal art, depois optamos por algo mais simples, para dar tempo.


Gustavo Maiato: Desde o “Battle Beast”, você sempre foi muito influenciado pelos animes japoneses. Quais são os animes que você mais gosta e os personagens que mais te inspiram?

Anton Kabanen: O próprio nome “Beast in Black” veio do anime Bersek. Tem um personagem chamado Guts, que é conhecido como Espadachim Negro. Ele tem uma espécie de animal interior que é chamado de Besta da Escuridão (Beast in Black). Então, quando formei essa nova banda, ainda não tinha esse nome, mas eu sabia que queria manter a palavra “Beast” de alguma forma, por causa do meu passado com o Battle Beast.

Eu queria fazer essa conexão com o Berserk. Percebi que esse anime é uma fonte de inspiração que sempre estará dentro de mim. Com essa nova banda, pensei em deixa-la mais conectada com o Berserk.

Agora, gosto de muitos outros animes, nem sei por onde começar! Principalmente os cyberpunks dos anos 80 e 90. Esses foram os que mais influenciaram o “Dark Connections”. Por exemplo, o The Third, Battlemage Oligarch, Cyber City Oedo 808, A. D. Police e Bubblegum Crisis.

Também tem outros que não influenciaram diretamente o disco, mas eu gosto muito, como Goku Midnight Eye e Ghost in the Shell. Geralmente, esses dos anos 80 e 90. São esses que gosto mais! Não são sempre de ficção científica. Gosto muito do Grave of the Fireflies, mas nunca compus uma música sobre ele. É um dos mais tristes de todos os tempos.

Os animes são bem variados, com várias atmosferas. Cada um tem um estilo de desenho, com personagens diferentes. Não é como nos últimos 15 anos, onde as animações da Disney são todas iguais. São sempre personagens em 3D, com as mesmas texturas. No anime, ainda dá para encontrar uma variedade técnica legal.

Gustavo Maiato: Eu já vi gente comparando o estilo do Beast in Black com bandas clássicas como Manowar, mas também já vi pessoas dizendo que vocês se parecem com grupos de power metal. Afinal, como você define o estilo do Beast in Black?

Anton Kabanen: Sempre procuro manter a mente aberta quando estou compondo. Preciso me livrar das barreiras que um estilo musical pode trazer. Procuro escutar a música e perguntar o que ele precisa.

É preciso ser verdadeiro com seu instinto criativo. No final das contas, vêm essas análises, qual gênero você se encaixa..., mas no momento que componho, não estou pensando nisso. Apenas deixo o fluxo seguir naturalmente.

Agora, as letras do “Dark Connections” são inspiradas em três fontes: o filme Bladeruuner e dois animes chamados The Third e Battlemage Oligarch. Musicalmente, não acho que teve uma fonte única. Tudo que você faz em sua vida... Você é uma soma de tudo que aconteceu com você. Isso define como é a sua arte. Você usa esses ingredientes que você coleciona desde pequeno.

Lembro que quando era pequeno eu já gostava de várias músicas. Não entendia nada de teoria. Anos depois, passei a entender a técnica por trás e ficava maravilhado com isso. Então, essas coisas ficam no seu subconsciente e se tornam parte do seu instinto criativo.


Gustavo Maiato: Existem várias nacionalidades convivendo dentro do Beast in Black. O vocalista Yannis Papadopoulos é da Grécia, você é da Finlândia, o baixista Máté Molnár é da Hungria... De que maneira esse mix de países influencia na sonoridade da banda? São várias culturas musicais diferentes reunidas!

Anton Kabanen: No que diz respeito ao processo de compor as músicas, isso não influencia muito, mas afeta bastante na mentalidade da banda, enquanto unidade, em como nós operamos.

Isso é ótimo, na minha opinião. Temos um balanço legal, essa mistura de pessoas com culturas musicais diferentes. Mas voltando para a música, sou eu quem componho, mas o Yannis é um ótimo cantor. Ele consegue interpretar as melodias muito bem. Ele entende a importância do impacto emocional que uma melodia precisa ter. O drama da coisa.

Ele ouve a melodia, lê a letra e tenta criar uma alma. Não é uma linha reta. Um cantor ruim pode arruinar uma música boa. Às vezes, funciona, mesmo com um cantor ruim. Tudo depende da produção, são várias nuances, mas com o Yannis é ótimo, a musicalidade dele trouxe muito para o Beast in Black.

Eu entendo que, como compositor, a interpretação que ele faz importa muito. Ele traz vida para as melodias. Ele vem da Grécia, um país muito musical, então, nesse sentido, afeta muito. Ele dá vida para as músicas.

Gustavo Maiato: Ainda falando sobre o “Dark Connection”, vocês fizeram dois covers bem legais: “Battle Hymns”, do Mannowar e “They Don’t Really Care About Us”, do Michal Jackson. Como surgiu a ideia de fazer essas versões?

Anton Kabanen: Escolhemos porque são excelentes músicas! No caso do Manowar, o Yannis foi o primeiro a sugerir “Battle Hymns”. Eu topei na hora! O resultado ficou bem fiel ao original, mas conseguimos imprimir a personalidade do Beast in Black lá.

Ficamos bem atentos aos detalhes. No caso do Manowar, fizemos aquela famosa introdução com teclado. Lembro de programar e pensar em todos os detalhes da música original. Todas as pequenas nuances, cada nota está lá!

Gustavo Maiato: Em outra ocasião, você disse que antigamente as músicas costumavam apresentar mais qualidade de uma maneira geral do que agora. A que você atribui isso?

Anton Kabanen: Antigamente, um compositor de video game, por exemplo, tinha pouquíssimos recursos e precisava fazer uma música memorável, sem a tecnologia de hoje, que permite colocar um monte de camadas e “pintar” a música de várias formas.

Hoje, podemos botar dezenas de tracks apenas para orquestra e coros. Antes, eles precisavam compor um bom riff ou uma boa melodia, com uma bateria simples e uma linha de baixo.

Gustavo Maiato: Em 2018, vocês abriram uma série de shows para o Nightwish. Quais memórias você tem desses dias?

Anton Kabanen: A turnê inteira foi fenomenal. Não consigo pensar um momento específico. Tenho ótimas lembranças do palco, ver como a plateia nos recepcionou. Fomos muito bem tratados. Tivemos momentos muito divertidos no ônibus da turnê, passamos noites bacanas. Trabalhamos muito também, a melhor parte sempre é tocar para nossos fãs.

Uma coisa muito importante que aconteceu foi que, após essa turnê, conseguimos fazer outra série de shows como headliners na Europa. Essa segunda turnê não teria sido um sucesso como foi se não tivéssemos aberto para o Nightwish antes. Tocar com o Nightwish abriu muitas portas!

Esses shows com o Nightwish foram fundamentais para nós conquistarmos novos fãs. Esses fãs não teriam vindo nos assistir se fosse antes, por isso foi muito importante!


Gustavo Maiato: Obrigado pela entrevista! Por favor, deixe uma mensagem final e diga para seus fãs brasileiros se eles podem esperar que o Beast in Black venha tocar aqui!

Anton Kabanen: Nossa ideias sempre é visitar todos os países possíveis o mais rápido que pudermos. Com o “Dark Connection”, queremos aproveitar o máximo esse momento no que diz respeito a turnês. Queremos tocar o máximo possível nos próximos 2 ou 3 anos.

Queremos visitar lugares em que nunca fomos. Ano que vem, espero que o mundo volte a funcionar normalmente. Sabemos que o coronavírus não desaparecerá, mas espero que ano que vem as pessoas possam continuar suas vidas da melhor maneira possível.

07 Dez 2021

Entrevista com Anton Kabanen (Beast in Black) – “Tocar com o Nightwish abriu muitas portas!”

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