26/07/2021 às 21:14 Resenhas de Discos

Caos impregnado em “Perpetual Chaos” revela lugares mais obscuros da mente humana

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Leonardo da Vinci dizia que o ódio revela muita coisa que permanece oculta ao amor. Com treze faixas compostas com os olhos cheios de raiva, “Perpetual Chaos” , novo disco da Nervosa, é uma tempestade sonora sem direito à silêncio predecessor.

É uma explosão que nos conduz ao caos perpétuo, que nos conecta com sentimentos intensos e pesados que só uma convalescência pós-pandêmica pode proporcionar. De fato, dá acesso a lugares que, na base do amor, não teríamos condições de conhecer.

A recente reestruturação da banda trazia um quê de mistérios: para onde a Nervosa iria? Os vocais de Diva Satânica protagonizando versos de pura desordem mostraram que a banda ressurgiu ainda mais forte depois de ser cortada ao meio na abrupta separação de suas integrantes.

Logo no começo, “Guided By Evil” explica que “o mal é paciente, está esperando até o fim”. A frase dá o tom de desesperança misturado com a raiva propulsora, típico em bandas de thrash metal.

A força que impulsiona a Nervosa para frente pode ser colhida facilmente nas ruas desse Brasil. Títulos como “Under Ruins” e “Godless Prisoner” remetem a um estado decadente tanto interno quanto externo, mas pedem socorro, sem orgulho:

“Me salve. Me ajude. Não me deixe morrer nas ruas. Uma criança sem-teto está condenada”.

Pensado para ser apreciado justamente nos momentos de inquietação, “Perpetual Chaos” é um aliado para as horas mais escuras. As músicas, com boa dinâmica, privilegiam o refrão mais fácil, daqueles que parece que você já ouviu antes.

“People of the Abyss” é um exemplo onde os riffs de Prika Amaral servem de background para o astro principal brilhar. Ou seja, o embalo das melodias de Diva, que parecem casar felizes para sempre com essa proposta anárquica de perturbação.

Por fim, “Perpetual Chaos” prova que a Nervosa está em plena forma, abraçando esse lado escuro e questionador da força, revelando para nós, meros ouvintes, facetas que, talvez, não estejamos preparados para suportar.

26 Jul 2021

Caos impregnado em “Perpetual Chaos” revela lugares mais obscuros da mente humana

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