Imagem capa - Ao resgatar elo perdido intergeracional, Helloween prova que o inteiro é maior que a soma das partes por Gustavo Furtado Gonçalves Maiato
Resenhas de Discos

Ao resgatar elo perdido intergeracional, Helloween prova que o inteiro é maior que a soma das partes

A corrente psicológica alemã conhecida como Gestalt afirma que o todo é maior que a soma de suas partes. Nessa concepção, uma casa é mais do que a soma de quartos, banheiro, cozinha etc. A casa está presente na nossa mente como um símbolo distinto, algo maior do que a mera individualidade de suas partes.


Décadas depois, ainda na Alemanha, uma certa banda provou novamente que cada uma de suas sete partes na verdade respondem por um inteiro muito maior: o Helloween, a maior banda de power metal da história.




Dessa forma, as partes que atendem pelo nome de Michael Kiske (voz) e Kai Hansen (voz e guitarra) foram adicionadas novamente ao conjunto já existente de onde nunca deveriam ter saído.


Esse grupo já continha Andi Deris (voz), Sascha Grestner (guitarra), Michael Weikath (guitarra), Daniel Loeble (bateria) e Markus Grosskopf (baixo).


Agora transfigurados em septeto, o resultado foi o disco “Helloween”, fruto desse belo trabalho de resgatar o elo perdido de integrantes da era clássica adicionados em uma máquina de composição que ao longo de quatro décadas já entregou diversos discos formidáveis.




O maior desafio foi equilibrar essas peças. Músicas como “Out of the Glory” e “Best Time” vêm com uma pegada mais rápida, privilegiando os tempos de Michael Kiske.  Outras como “Mass Polution” trazem aquele rock and roll mais visceral típico de Andi Deris.


A tônica principal foi descobrir como cada um podia contribuir da melhor forma, sem um querer aparecer mais do que o outro. O ponto mais alto, entretanto, são os refrães típicos do power metal, feitos para cantar junto, simples e eficazes.


“Rise Without Chains” é uma aula de dinâmica de guitarra, onde a cada momento do longo solo vemos um novo guitarrista assumir o protagonismo. “Indestructible”, por sua vez, vem com uma letra estilo “Future World”: “lutar por um mundo onde podemos viver sem medo”. Em tempos de pandemia, uma mensagem mais do que justa.


Por fim, “Skyfall” coroa essa reunião. São 12 minutos que passam rápido, com a melhor melodia do disco e forte candidata a melhor do ano.


O grande mérito do disco “Helloween” foi mostrar ao mundo a força de uma amizade e do trabalho duro entre sete caras que venceram desavenças e problemáticas em prol da música. Se todas as bandas resolvessem pensar dessa forma e privilegiar o fã ao próprio ego, o nível do heavy metal mundial iria aumentar exponencialmente.