Imagem capa - “O novo disco soa como power metal escrito na década de setenta!” – Entrevista com Joe Martignetti (Sunrunner) por Gustavo Furtado Gonçalves Maiato
Entrevistas

“O novo disco soa como power metal escrito na década de setenta!” – Entrevista com Joe Martignetti (Sunrunner)

A banda americana Sunrunner está lançando seu novo disco “Sacred Arts of Navigation”, repleto de influências setentistas e temas como a dualidade entre a natureza e a humanidade.


Conversei com o guitarrista Joe Martignetti sobre a expectativa para o novo lançamento e também sobre como é ter um vocalista brasileiro como integrante! Isso porque Bruno Neves é o novo dono dos microfones do quarteto!


Boa leitura!!



Gustavo Maiato: Eu gostaria de começar essa entrevista falando sobre o novo disco “Sacred Arts of Navigation”, que está prestes a ser lançado. A banda vem mudando a sonoridade desde o primeiro disco, então o que os fãs podem esperar desse novo registro?


Joe Martignetti: Será mais na pegada do nosso último álbum, o “Ancient Arts of Survival”. O título é até parecido. Vamos ter alguns elementos progressivos, será nessa linha.


Gustavo Maiato: Vocês trabalharam com o renomado produtor Marcus Jidell (Candlemass). Como nós podemos ver o “toque” dele nesse álbum?

 

Joe Martignetti: Essa é a maior diferença! O disco soa mais pesado, nós usamos alguns equipamentos analógicos. Ele é um grande fã dos anos 70, decidimos manter essa pegada, mas com peso e tudo mais.


Gustavo Maiato: Podemos dizer então que os anos 70 são os seus preferidos desde sempre? Como colocar essas influências de décadas atrás em músicas feitas agora no século XXI?


Joe Martignetti: Esse é o segredo! É bem difícil, mas conforme você escreve, isso passa a vir mais naturalmente. Também sou muito influenciado pelos anos 80. Por isso nós mantivemos os equipamentos analógicos antigos.


Não que a gente queira copiar nem nada, mas essas músicas que surgiram uns 40 anos atrás são as melhores para mim. É como se fosse um resgate desse estilo, mas também com algo de power metal, doom metal, só que como se esses gêneros tivessem surgido nos anos 70.


Gustavo Maiato: Você está gravando um novo clipe também, certo? O que você pode adiantar para nós?


Joe Martignetti: Ainda estamos fechando todo o conceito do vídeo. Sempre fizemos lyric videos e também mostramos a gente tocando no vídeo, simplesmente isso. Dessa vez, estamos decidindo qual música vamos trabalhar com o videoclipe e pensar uma forma diferente de gravar.


Gustavo Maiato: Foi fácil compor o disco durante a pandemia? Aí nos EUA está um pouco melhor, mas de qualquer forma... A pandemia influenciou na composição e gravação?


Joe Martignetti: Bom, o Marcus esteve conosco ainda no ano passado, não tivemos muitos casos de coronavírus aqui. Nós somos do Maine, bem no Norte, então não sofremos tanto com a pandemia.


Tudo aconteceu no tempo certo, as guitarras, baixo e bateria já tinham sido gravadas. Agora, quanto ao resto da pandemia, isso nos deu um pouco mais de tempo. Claro que é difícil, nosso vocalista, o Bruno, mora no Brasil e tudo mais.


Normalmente nós precisamos apressar o processo de compor e gravar, mas dessa vez pudemos fazer as coisas com mais calma.


Gustavo Maiato: Falando sobre o “Ancient Arts of Survival”, o conceito reflete um tempo onde a humanidade estava em harmonia com a natureza, controlando seu destino. Será que ainda temos esse controle mesmo em tempos de pandemia?


Joe Martignetti: Sou um fã dessa arte da sobrevivência. De estar lá fora na imensidão e sobreviver, caçando e pescando sua própria comida. Não acho que a maneira que vivemos hoje é ruim, não trocaria, mas imagina se tivéssemos o melhor dos dois mundos?


No futuro podemos ter algum aparelho que nos faça voar pelas florestas, poderíamos levar nosso computador para o meio da natureza. Aí eu iria fazer um peixe no fogo, na beira do rio. Seria uma combinação do que a humanidade fez por milhares de anos com essa era louca cheia de tecnologia que vivemos hoje em dia.


Também sou fã do Tom Brown Jr, ele é um autor e naturalista, assisti umas aulas dele já, ele é muito inspirador. Ele dá ferramentas e explica sobre como construir o abrigo correto dependendo da situação que você estiver.


Ele ensina habilidades de sobrevivência e isso reflete nos livros dele. Eu gostaria de escrever mais discos, tem muita coisa que eu queria escrever, mas infelizmente não dá!


Gustavo Maiato: A capa do disco mostra um índio nativo americano em uma paisagem moderna, com prédios e tudo mais. É esse contraste entre o novo e o velho que você comentou, certo?


Joe Martignetti: Acho que se você combinar tecnologia com natureza você acaba vivendo em um lugar tipo os planetas de Star Wars, com armas a laser e tudo mais! O futuro terá sua tecnologia, com naves e tudo mais. Eu amaria isso!




Gustavo Maiato: O Sunrunner sempre foi um trio. Agora, vocês são quatro. Quais as diferenças entre os dois formatos?


Joe Martignetti: Fomos em três por um tempo, agora somos quatro, não escolhemos isso na verdade. Sempre foram os mesmos caras. Já tivemos dois guitarristas também, chegamos a ter seis pessoas na banda!


Gustavo Maiato: E qual formato é melhor para tocar ao vivo?


Joe Martignetti: Ter uma segunda guitarra me ajudando é muito bom. Posso fazer as harmonias e tudo mais. Gosto desse formato de trio, soa grandioso, acho que não tem “briga” entre as guitarras. Você só toca um acorde, o baixo vem junto, soa bem forte.


Mas eu sinto muita falta das harmonias de guitarra. É preciso ter cuidado com isso quando escrevemos o disco, não dá para fazer harmonias muito loucas na guitarra, não sabemos se teremos um segundo guitarrista!


Gustavo Maiato: Quais guitarristas mais influenciaram seu estilo de composição? Aposto que são músicos dos anos 70!


Joe Martignetti: O Tony Iommi é provavelmente meu guitarrista favorito. Ele não é um shredder nem nada, mas os riffs que ele faz... Toda nota é 100% perfeita. Tem outros caras que curto, mas os discos do Sabbath são perfeitos.


Também gosto muito do Alex Lifeson do Rush e do Richie Blackmore, gosto muito de Deep Purple. Esses três são os meus favoritos!


Mas olha o nosso caso, precisamos aprender a sobreviver aqui no nosso planeta. O contraste na capa do disco representa um guerreiro do passado. Ele tem uma arma futurística também.


Gustavo Maiato: O Sunrunner tem uma conexão especial com o Brasil! O vocalista Bruno Neves entrou na banda recentemente! Como um cara brasileiro acabou entrando em uma banda americana?


Joe Martignetti: Parece estranho né? O que aconteceu foi que fizemos uma turnê no Brasil. Nosso empresário estava em contato com o Bruno. Não lembro agora a linha do tempo certinha, mas depois dessa turnê, nosso vocalista/baixista, o Dave, teve seu primeiro filho.


Ele poderia compor conosco, mas não poderia fazer turnês. Tínhamos um substituto, mas que também tinha família. Então fomos procurar alguém com essa pegada mais melódica e pesada na voz.


Como eu disse, vivemos no Maine, não tem muita gente aqui. É um estado grande, mas não tem ninguém aqui, a cena metal é pequena. Queríamos alguém com um estilo bem específico. Alguém que fosse tipo o Ronnie Dio, sabe?


Eu brincava com meu empresário dizendo que seria mais fácil achar alguém do Brasil. Ele falou “deixa comigo!”. Então, ele enviou alguns e-mails e depois recebemos uma lista com vários vídeos de cantores brasileiros. Todos eles eram ótimos.


Gustavo Maiato: Você encontrou o seu Dio? (risos)


Joe Martignetti: Sim! Uma das primeiras pessoas que enviaram material foi justamente o Bruno. Ele enviou um vídeo cantando Blind Guardian, nós o achamos ótimo. O Mario Linhares enviou também, tinha outros caras. Será que seria possível ter alguém do outro lado do planeta cantando conosco?


Foi uma escolha difícil, eram muitos cantores bons, mas o Bruno gostava das mesmas coisas que a gente. Somos parecidos no modo de pensar também. Fazia sentido escolher ele. Então foi o que fizemos!


Gustavo Maiato: Que memórias você tem dessa turnê do Sunrunner pelo Brasil?


Joe Martignetti: Muitas coisas engraçadas aconteceram no Brasil! Na primeira noite, bebemos bastante cachaça, foi ótimo! Desde o momento que aterrissamos até quando voltamos, tudo foi ótimo. As pessoas estavam animadas para ver nosso show, tudo foi maravilhoso, com muita energia.


Gustavo Maiato: Vocês já têm planos para voltar ao Brasil?


Joe Martignetti: Sim, definitivamente! Está no nosso radar, só não sei quando ainda. Normalmente, o álbum sairia e nós iríamos para uma turnê para promover, lá para o final do ano. Não sei se vai rolar dessa vez, mas assim que der estaremos aí!