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Entrevista com Edu Falaschi: "Sei que os fãs estavam com saudades dos meus agudos da época do 'Rebirth'!"

Edu Falaschi marcou uma geração. Dono de uma voz poderosa e reconhecida mundialmente, o ex-Angra iniciou, com o lançamento de "Vera Cruz", uma promissora carreira solo. Misturando História do Brasil com Europa Medieval, o novo registro já chegou fazendo história.


Não só pela participação de nomes consagrados como Max Cavalera e Elba Ramalho, mas pela coragem e qualidade das músicas, que apostam em uma sonoridade que é familiar e nostálgica para o grosso dos fãs de Edu.


Nessa entrevista EXCLUSIVA que pode ser lida abaixo, conversei com Edu Falaschi sobre o lançamento do "Vera Cruz", e também sobre os 30 anos de carreira e o aniverersário do disco "Rebirth", seu primeiro de sua fase no Angra, que completa 20 anos agora em novembro. No final, o vídeo da entrevista no meu canal do YouTube está linkado, para quem preferir. 


BOA LEITURA!


Gustavo Maiato: O primeiro disco do Almah, lançado em 2006, foi como um protótipo da sua carreira solo, mas a coisa evoluiu para uma banda. Agora, com o lançamento de “Vera Cruz”, temos de fato seu primeiro disco como artista solo. Quais fatores convergiram para tornar isso possível agora?


Edu Falaschi: O primeiro disco do Almah já tinha uma intenção de ser banda. Por isso o nome “Almah” na capa é bem maior. Embaixo fica “By Edu Falaschi”, bem pequeno. Então esse era o conceito. O “Vera Cruz” de fato é meu primeiro álbum como artista solo.


Naquela época do Almah, eu estava no Angra ainda. Então não tinha como eu estar em carreira solo sendo vocalista do Angra. Agora, não tenho nenhum outro projeto. O Almah está em pausa. Por isso tem essa conotação de ser o primeiro.


Essa ideia do disco surgiu lá em 2017, quando iniciei o projeto solo ao vivo. Eu fui fazer um show no Peru, fui contratado para tocar apenas Angra. Toquei “Heroes of Sand”, “Spread Your Fire”, “Wishing Well”.


Aí depois do show, o Joe Lynn Turner estava lá. Ele conversou comigo e me perguntou: “você não tem uma carreira solo?”. Eu falei que não, então ele me aconselhou construir isso, porque os fãs querem o Edu do Angra.


Ninguém precisa desviar dessa conclusão óbvia de que o Angra foi a maior vitrine para meu nome mundialmente. Muita gente conheceu meu trabalho a partir do “Rebirth”. Depois começaram a pesquisar, descobriram o Symbols, o Mitrium. Eu fiquei 12 anos no Angra, foi o lugar que eu fiquei mais tempo! Muitos passaram a conhecer o Angra apenas comigo no vocal.



Então passei uns três anos tocando clássicos da minha época de Angra. No meio do percurso, os fãs começaram a pedir coisas novas. Aí eu fiz o EP “The Glory Of The Sacred Truth”, que explodiu! Está no gosto da galera do power metal.


Gravei também a música “Streets of Florence”, uma balada bem no meu estilo. Aí foi um caminho natural. O pessoal mesmo da banda comentou que estava na hora de fazer um disco. O próprio Roberto Barros, que produziu comigo, me incentivou a compor.


Eu desenvolvi todo o conceito do “Vera Cruz”. Esses três anos entre 2017 e 2019 basicamente me deram um empurrão para esse trabalho acontecer!


Gustavo Maiato: Tempos atrás, você teve um problema na voz que de certa forma te debilitou. Agora, você está plenamente reestabelecido. Quais dessas músicas novas do Vera Cruz” que o Edu lá do passado diria “caramba, você conseguiu, venceu a doença e está cantando muito!”?


Edu Falaschi: Você falou algo bem real! Eu tive um problema na voz que virou um problema de saúde geral. Para um cantor, perder a voz acarretam outros problemas psicológicos, psicossomáticos.


Teve uma época que eu parecia um monstro, minha pele estava toda fodida, cheio de feridas no corpo inteiro. Eu tinha vergonha de sair na rua, era muito feio. Isso me gerou problemas. Mas eu não desisti, sempre acreditei. Principalmente com o apoio do meu irmão e dos verdadeiros fãs. Eles ficaram comigo por muitos anos!


Então, consegui recuperar boa parte das técnicas de voz que eu usava na época do Symbols e do “Rebirth” principalmente. Com o tempo, arranjei outras maneiras de cantar. Com o “Vera Cruz”, é irônico, porque ele celebra 30 anos da minha carreira.


Então tudo que construí agora é uma celebração do que eu construí na minha carreira. Tem influência de Symbols, Vênus, Almah e principalmente do Angra. Foram coisas que eu aprendi e desenvolvi como compositor lá no Angra.


Isso responde algumas dúvidas... Tem gente que fala “Pô, o disco é meio Angra né?”. A música que vazou, a “Sea of Uncertainties”, muita gente disse que tem uma pegada do Almah. Mas a ideia é essa! Fico feliz que as pessoas tenham conectado essas coisas. Meu objetivo foi alcançado.


Não era um disco para eu inovar, não era minha vontade vir com coisas que nunca fiz nesses trinta anos. Estou celebrando 30 anos como cantor de power metal. Essas músicas tipo “Wishing Well”, “Nova Era”, “Spread Your Fire”, eu criei isso! É natural que tudo que eu criei esteja nesse disco.


Sobre a música mais difícil de cantar... Acredito que são todas! Esse estilo de cantar que adotei agora é um resgate do modo que eu cantava lá no Mitrium, Symbols e começo do Angra. Depois do problema de voz que eu tive, havia perdido o jeito de fazer essa técnica.


Hoje, graças a deus eu consigo! Era a hora perfeita de aplicar essa técnica que me lançou como cantor de power metal mundial. Resgatei isso e presenteei os fãs que tanto esperavam esse retorno desse estilo de cantar. Era um saudosismo, as pessoas queriam aqueles agudos!


O jeito que eu subo as notas o refrão da “Land Ahoy”, por exemplo, aquilo é muito Symbols! O cara que ouve, se identifica. Na “Rainha do Luar”, o refrão era de uma música minha da época do Symbols.


Eu chegava nos agudos com a chamada voz de peito, como eu faço na “Running Alone” e “Heroes of Sand”. Eu nunca mais tinha feito. Então por isso digo que todas as músicas são muito difíceis de cantar no “Vera Cruz”, justamente por causa dessa técnica que é bem complicada!




Gustavo Maiato: Falando um pouco sobre a história que permeia as músicas do disco, queria saber qual foi a inspiração. Temos elementos dos Cavaleiros Templários, Descobrimento do Brasil, vários momentos da história ligados!


Edu Falaschi: Existem elementos das Cruzadas e dos Templários. É uma história fictícia bem épica. Porém, eu estou comemorando 30 anos de carreira e queria fazer um disco para o Brasil.


Tenho fãs no mundo inteiro, mas o exterior sempre se dava bem na questão dos lançamentos. CDs de digipack eram apenas lá. Produtos mais elaborados, com bônus tracks. Aqui era sempre um produto mais simples.


Dessa vez, quis fazer diferente. O Brasil seria o epicentro da minha carreira. A grande maioria do apoio que eu obtive na minha carreira veio daqui. Eu queria homenagear meu povo, meu país.


Não só com lançamentos especiais, mas pensei como poderia juntar nessa história algo relacionado ao Brasil. A história é medieval, as raízes são na Europa. Pesquisando, descobri que existem muitas influências dos Templários no Brasil. Muitos vieram para cá! Existem monumentos para eles aqui.


Vi que a história seria algo mais rica, não iria conseguir desenvolver tudo sozinho. Precisava me concentrar nas letras, não ia dar tempo. Consegui trazer o Fábio Caldeira, meu grande amigo, que é vocalista do Maestrick, também é poeta, escritor. Nos unimos, eu contei a história, ele adorou e passamos a desenvolver juntos.


Ele escreveu todos os detalhes para eu escrever as letras baseado nisso. No decorrer da história, descobrimos que existem influências da cultura medieval dentro da cultura brasileira. A partir daí, começamos a conectar fatos reais. O Pedro Álvares Cabral está na história como um personagem.


O Descobrimento do Brasil também aparece. Aliás, “descobrimento” entre aspas, foi uma invasão! A vinda dos portugueses em 1500. Fizemos um link da época por volta do ano 1200, que é o início da história, com a questão da profecia que 300 anos depois se cumpriria.


Iria surgir um escolhido, que é o personagem principal, o Jorge, que vem para o Brasil. Tem todo um desenrolar riquíssimo que o Fábio Caldeira construiu comigo. Foi assim que optamos por fazer essa ligação com o Brasil.


Gustavo Maiato: Outra figura importante foi o Roberto Barros, seu guitarrista e braço direito! Ano passado ele ficou em segundo na votação da Roadie Crew como melhor guitarrista nacional. Ele perdeu por pouco para o Kiko Loureiro! Você acha que agora, com o lançamento de “Vera Cruz”, ele chega no topo?


Edu Falaschi: Espero que sim! O Kiko é uma lenda na guitarra. Aquele empate técnico... Na minha opinião o Roberto Barros ficou em primeiro! Empate com o Kiko não é para qualquer um!


Ficamos muito felizes com esse resultado. Ele é um gênio, apesar da carreira dele ter como base a virtuose, ele tem um feeling absurdo! Ele tem talento para compor, desenvolver harmonias e riffs. Foi o cara perfeito para estar comigo nessa jornada!


Até entendo que ele é às vezes incompreendido por alguns. Ele é tão fora da curva que as pessoas estranham. Quando a coisa é muito diferente, as pessoas se assustam. A reação quando encontra algo fora da curva no primeiro momento é ter uma certa rejeição.


Poucos no mundo têm o que ele tem como guitarrista. Ele tem características muito importantes na manga para construir o que ele constrói. Foi uma honra o ter comigo!


Gustavo Maiato: A música que mais gostei foi a “Mirror of Delusion”, que refrão maravilhoso! Um dos mais inspirados da sua carreira! Queria que você contasse um pouco sobre essa música!


Edu Falaschi: Que bom que você gostou! Essa música veio de um riff de violão. Tem um efeito de delay que complementa o riff. É uma linguagem nordestina tocada com um groove, a partir daí desenvolvi a música. Ele é meio abrasileirado.


Realmente o refrão é um dos que mais gosto! Ele está em uma região de voz muito gostosa para eu cantar. Está bem dentro da minha tessitura, dá esse conforto para eu fazer esses vibratos bem poderosos e profundos que dão emoção. Fico feliz que você curtiu!



Gustavo Maiato: Não tem como não falar das participações especiais do disco: Max Cavalera e Elba Ramalho! A música “Face of the Storm”, que o Max canta, é uma das mais pesadas da sua carreira!


Edu Falaschi: Não sei se é a mais pesada em termos de riff, porque no Almah tinha coisas bem pesadas também! Mas pode ser a mais pesada no sentido de ter um nome de peso! Nunca tive alguém cantando gutural comigo do naipe do Cavalera.


Ele é uma lenda mundial, foi um grande sonho realizado. Quando fiz o disco, pensei já em algumas características que eu queria. Precisava de uma participação com gutural, porque eu não faço ideia de como canta isso!


Também queria uma participação feminina, por causa do contexto da história. Tem uma personagem mulher, que é a filha do cacique Piatã. Ela se casa no final com o Jorge, o personagem principal.


Então eu precisava desses cantores para me ajudar. A primeira pessoa que pensei para o gutural foi o Max Cavalera. Fiz a música para ele, o riff, o estilo de voz, a métrica da linha vocal. A construção toda foi para ele.


Se eu não conseguisse, iria atrás de uma segunda opção. Mesma coisa com a Elba Ramalho. Fiz as melodias pensando neles. Foi uma alegria, um milagre ter conseguido pessoas que são meus ídolos! Eles estão presentes, foi uma grande emoção!


Gustavo Maiato: A Elba Ramalho foi legal porque você já tinha tocado com outro grande nome da MPB que foi o Milton Nascimento, na época do Angra. Agora, com a Elba Ramalho, veio de novo essa conexão com as raízes brasileiras.


O que me chamou atenção na música foi a presença do maravilhoso sotaque nordestino dela! Não costumamos ver esse tipo de sotaque no heavy metal!


Edu Falaschi: Muito bem falado cara! Eu tinha um grande sonho de cantar com uma artista nordestina. Quando eu era adolescente, comecei a me interessar por música e lembro de escutar muito Elba Ramalho por causa dos meus pais.


Nos anos 80 ela bombava em tudo quanto é lugar! Ela bombava em rádio, TV, música de novela. Cresci ouvindo Elba Ramalho! Quando pensei nessa questão histórica, inclusive em relação à personagem, que é indígena, queria que tivesse alguém com muita brasilidade na voz.


Alguém com muito simbolismo na questão de representar meu povo. Existem vários, mas ninguém melhor do que a Elba na questão da voz feminina para representar o Brasil. Tem essa questão do sotaque, como você falou, que eu amo! Sou apaixonado pela voz dela! Quando consegui e ela gravou, fiquei muito emocionado. O resultado que eu obtive foi o que eu queria.


Gustavo Maiato: Você acompanhou as gravações dela?


Edu Falaschi: Sim! Fui na casa dela, no Rio de Janeiro, ela tem um estúdio na casa dela. Fui acompanhar e foi muito legal. Ela me recebeu como um grande amigo, super contente com a música, com o estilo.


Ela falou para mim que tocava bateria em outra banda e que sempre gostou muito de rock. Foi um sonho! Esse disco me deu muitas alegrias!





Gustavo Maiato: Quais são as diferenças entre trabalhar como artista solo e com uma banda? Quais os prós e contras?


Edu Falaschi: Não vou ser hipócrita, a carreira solo é muito mais fácil! Eu que tomo todas as decisões junto com o Juan Corral, meu empresário. Essa carreira solo gira em torno da energia de uma banda. Apesar das decisões passarem basicamente por mim, na verdade temos o espírito de banda, todos são ouvidos sobre decisões da banda.


Na questão musical, o Roberto Barros colocou muita coisa dele. Influências dele. O Diogo Mafra, o Aquiles... Eu fiz uma base com bateria eletrônica e ele desenvolveu o estilo dele depois. Bem na pegada do Angra, que os fãs conhecem.


Sempre dei essa liberdade. Direcionando e supervisionando, para não fugir do conceito principal que eu queria, mas eles tinham liberdade. O mais legal desse controle não passa pelo âmbito do egocentrismo. “Agora sou eu!”, não é isso...


O principal é que eu agora posso fazer aquilo que eu acho que melhor pode ser feito em cada música. Eu tenho minhas ideias que acho que é melhor para o fã. Tudo é feito com base no que eu já tentei fazer em outras bandas, mas não conseguia porque não tinha o controle. Era só um músico contratado, sem opinião em decisões.


Tenho uma maneira de conduzir as coisas que agora posso assumir e aplicar. Desde 2017, venho aplicando. Essa conexão direta com o fã. As pessoas perguntam “é você mesmo quem responde no Instagram?”. Sempre fui eu! Estou sempre muito conectado com o fã, isso me dá uma vantagem porque eu sei exatamente o que o fã quer e espera de mim como cantor e compositor.


Obviamente, coloco minhas vontades, não fico refém só da vontade dos fãs. É uma via de mão dupla. Não dá para ser uma coisa só. Vamos trabalhando em simbiose com os fãs. Estou com uma pilha de autógrafos da pré-venda do digibook. Autografei 2.000 cópias na pré-venda!


Poucos artistas se dedicam a esse ponto. Minha maneira de trabalhar é assim. Gosto de estar em parceria com os fãs. Com a carreira solo, consigo fazer isso.


Gustavo Maiato: Esse ano, temos outro acontecimento especial que são os 20 anos do “Rebirth”, lançado em novembro de 2001. Dá para a gente esperar algum tipo de comemoração junto com a turnê do “Vera Cruz”?


Edu Falaschi: Essa pausa por causa da pandemia para muita gente foi ruim, mas para mim foi até bom. Eu pude me concentrar nas composições e depois nas gravações do “Vera Cruz”. Foi em março do ano passado que a quarentena começou. Eu estava terminando minha turnê do Moonlight.


Eu já tinha me programado para começar a compor o disco em abril do ano passado. Então com a pandemia, tudo parou, mas para mim já ia parar. Não foi susto para mim. Comecei a escrever e obtive um resultado bom, pude me dedicar a isso.


Agora, os próximos passos são os shows. Não quero fazer uma turnê simples com palcos e biombos, como é tradicional no metal. Quero algo que vá fazer diferença na vida das pessoas. O cara vai para o show ter uma experiência, um espetáculo, tipo como faz o Kiss, Iron Maiden, Van Halen, Pink Floyd.


O artista tem que se preocupar com isso. As pessoas estão indo para o show ter uma experiência de vida. Principalmente os fãs de heavy metal que são apaixonados. Eles merecem isso. Vou trabalhar para isso. Imagino que os shows só devam voltar no Brasil no começo do ano que vem.


Essa pausa será boa para o pessoal ir assimilando o novo disco, que é muito complexo. Aí o pessoal poderá decorar as letras e quando começar a turnê todos estarão integrados com o “Vera Cruz”. Esse tempo vai permitir que eu crie algo diferenciado para a tour!





Gustavo Maiato: Eu queria comentar um pouco sobre o “Rebirth. Está chegando o aniversário de 20 anos!


Edu Falaschi: Sim, completando minha resposta, vou trazer músicas do “Rebirth” na nova turnê sim. Mas também do “Temple Of Shadows” e de outros trabalhos. É uma turnê de divulgação do novo disco, mas também de comemoração de 30 anos de carreira.


Vamos trabalhar dentro de um leque de possibilidades muito grande. Obviamente, o “Rebirth” estará nesse contexto!


Gustavo Maiato: Após 20 anos, ouvindo o “Rebirth” agora, você acha que ele envelheceu bem? Como você analisa a importância dele hoje em dia?


Edu Falaschi: Acho que envelheceu bem sim. É um disco atual. Tem disco que você ouve e dá para ver que é algo antigo. O “Rebirth” tem algo que o torna atemporal. Temos um disco com músicas muito importantes principalmente para o power metal mundial.


Por ter “Nova Era”, “Heroes of Sand” ... Músicas que marcaram uma geração, acho fantástico usar isso para celebrar essa turnê nova.


Gustavo Maiato: Você tinha acabado de chegar no Angra, mas já contribuiu com composições importantes no disco. Uma delas foi “Nova Era”, clássico tocado até hoje! Lembra como foi escrever essa música?


Edu Falaschi: “Nova Era” foi meu principal hit da minha fase no Angra. Ela não ia entrar no “Rebirth”! O produtor Dennis Warden que falou “precisamos de uma música tipo speed para abrir o disco”.


Aí eu mostrei essa música que eu havia escrito ainda na época do Symbols. Ela era uma balada de violão. Eu comecei a compor ela dessa forma. Na hora que eu percebi que ela tinha uma melodia forte, alguma coisa me chamou atenção nela e transformei ela em um speed.


A métrica dela funciona tanto nessa velocidade mais lenta quanto para speed, fica exatamente igual. Não mudei a velocidade nem a forma de cantar, o que muda é a roupagem. Ao invés de ser com violãozinho, fiz algo com mais velocidade.


Quando eu trouxe a “Nova Era”, foi bem na transição quando eu saí do Symbols. Essa música era para o Symbols. Ainda não tinha nenhuma música minha no “Rebirth”. Eu mostrei essa música e eles adoraram, gravaram.


Terminamos e a música acabou abrindo o disco! Isso foi legal também porque a banda começou a me olhar com outros olhos, não só como cantor, mas como compositor. Pude trazer outras músicas depois, como a “Spread Your Fire”, no “Temple of Shadows”, a “Heroes of Sand”, que é uma balada.


Nessa o Kiko fez um tapping no solo, ficou bem legal. O Rafael Bittencourt fez a letra, mas a melodia de voz, harmonia, base do solo, tudo eu que fiz.


Gustavo Maiato: Não tem como falar de “Heroes of Sand” sem a pergunta polêmica! Você chegou a ver como ficou a versão com a Sandy que o Angra gravou no DVD?


Edu Falaschi: Não ouvi ainda! Imagino que tenha ficado legal. A Sandy é uma querida, tem uma voz linda. Imagino que tenha ficado bem bonito o resultado!