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Entrevista com Michael Stützer, do Artillery: "Espero que meu irmão ouça nossas músicas, onde quer que ele esteja!"

Michael Stützer, guitarrista do Artililery, é um veterano do thrash metal dinamarquês. Após perder seu irmão e companheiro de instrumento na banda, Morten Stützer, em 2019, o quinteto retornou triunfante com o disco “X”, décimo da carreira.


Para falar sobre o momento atual do Artillery, bati um papo exclusivo com Michael. Falamos sobre as novas composições, cena dinamarquesa, religião, satanismo, líderes políticos e muito mais! A íntegra você confere abaixo!



Gustavo Maiato: Quero começar perguntando sobre o novo álbum do Artillery, que ganhou o nome de “X” e foi lançado agora no dia 7 de maio. O disco apresenta ideias que foram compostas por seu irmão Morten Stützer, ex-guitarrista da banda, antes de ele falecer em 2019. Podemos dizer que o novo disco mantém o legado dele vivo?


Michael Stützer: Sim, na verdade tem uma música do novo disco, chamada “Silver Cross”, que tem algumas ideias dele. Ele ainda deixou outras ideias, mas não utilizamos. Tudo foi muito rápido.


Gustavo Maiato: Você chegou a dizer que o processo de gravação foi como uma terapia para você... Imagino que deva ter sido bastante dolorido.


Michael Stützer: Foi bem difícil. Eu costumava trabalhar com ele sempre bem de perto. Então, do nada, ele não está mais lá no estúdio comigo. Isso foi muito difícil, mas o Kraen Meier, nosso novo guitarrista, é muito bom e um grande amigo. Sei que ele está em algum lugar e espero que ele escute de alguma forma esse nosso novo trabalho!




Gustavo Maiato: Eu li alguns comentários de fãs dizendo que as novas músicas do Artillery estão com uma pegada mais “atualizada”, com elementos até mesmo de deathcore e metalcore. Você concorda com isso? Como você enxerga esse novo trabalho da banda em comparação com os discos anteriores da carreira do Artillery?


Michael Stützer: Bom, eu não acredito não! Continuamos com nossas raízes, com nossa música rápida e melódica, bastante pesada. Claro que algumas coisas mudam, mas não acho que estamos tão distantes do que vínhamos fazendo antes.


Não acho que estamos mais modernos nem nada, continuamos sendo o Artillery! Sempre existem elementos novos que surgem, claro, são quase 40 anos de banda! Não somos como o AC/DC que faz o mesmo álbum toda hora! Sempre tocamos como o Artillery e queremos soar como o Artillery!




Gustavo Maiato: Falando sobre as músicas do novo disco, a música “Beggar in Black Suits”, que encerra o álbum, fala sobre políticos corruptos. Um dos grandes sucessos do Artillery é a música “Khomaniac”, que também fala sobre um líder político. No caso, sobre Ruhollah Khomeini, o ex-líder supremo do Irã. Podemos estabelecer uma relação temática entre essas duas músicas?


Michael Stützer: Sim, você pode dizer isso. Elas falam sobre a mesma coisa basicamente. No caso da “Khomaniac” é sobre esse líder religioso que sempre pede dinheiro, mas no final tudo acaba indo para os bolsos dele. Mas você pode estender essa crítica a todos os ditadores ao redor do mundo.


Gustavo Maiato: Por falar em religião, como é a relação do seu país, a Dinamarca, com a religião? Vocês são um povo religioso?


Michael Stützer: Aqui na Dinamarca somos todos bastante mente aberta. Você pode acreditar em tudo que você quiser, contanto que não agrida ninguém. Todos levam numa boa, acho louco isso de você não poder ter suas crenças respeitadas em alguns lugares.


Gustavo Maiato: Outra música que dialoga com esse tema é “The Devil’s Symphony” que fala sobre esse fascínio que as pessoas têm por essa temática do satanismo e diabo. O que você pode nos dizer sobre essa música?


Michael Stützer: Essa música é sobre pessoas que acreditam no satanismo como uma forma de religião. Eu não gosto de religião nenhuma. O Artillery não é uma banda satanista nem nada, escrevemos essa música porque surgiram ideias sobre esse tema, mas poderíamos fazer músicas sobre líderes religiosos do islã ou catolicismo também.





Gustavo Maiato: A capa do novo disco traz de novo essa figura que é uma espécie de Morte ou reaper que acabou virando uma espécie de mascote da banda, certo?


Michael Stützer: Isso começou lá nas nossas primeiras demos, acho que na “Fear Of Tomorrow”, em 1985! Já tínhamos essa figura na capa. É tipo uma mascote para a gente. Esse disco novo se chama “X” porque é nosso décimo disco, resolvemos manter esse reaper na capa em algum lugar. Eu adoro essa ideia! É algo bastante Artillery!





Gustavo Maiato: A história do Artillery é marcada por diversas interrupções. Vocês se separaram e se reuniram diversas vezes. Você acha que essas pausas prejudicaram de alguma forma a carreira da banda? Tudo poderia ser diferente se vocês nunca tivessem se separado?


Michael Stützer: Isso aconteceu, de fato. Em alguns momentos, certos membros da banda queriam coisas diferentes. Isso foi difícil de lidar. Você não pode forçar as pessoas. Esse foi um dos motivos que fez a gente se separar.


Nos reunimos em 2000 e depois em 2007, com novos membros, fizemos alguns shows e foi muito bom. Depois disso, tocamos centenas de shows por ano. Isso foi importante para nós, voltar ao circuito, falar com as pessoas, ter apoio. Tocar é sempre muito legal, agora não podemos tocar por causa do coronavírus.


Gustavo Maiato: Por falar no coronavírus, como está a situação por aí?


Michael Stützer: Aqui na Dinamarca tivemos muita sorte. O governo foi muito rápido e decretou um lockdown forte. O coronavírus não ganhou força aqui. As pessoas realmente ajudaram umas as outras.


Agora em maio já devemos fazer nossos primeiros shows por aqui. Estamos muito ansiosos por isso! Não tocamos já tem um ano e meio. Sentimos muita falta disso. No Brasil, sei que a situação está complicada. Tenho amigos aí e sei que está bem difícil.


Gustavo Maiato: Existem muitas bandas dinamarquesas que marcaram época como King Diamond e Pretty Maids. Qual sua visão sobre a contribuição da Dinamarca para a cena do metal mundial?


Michael Stützer: Uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos é o Mercyful Fate, aqui da Dinamarca. Acho que eles são muito originais. Para mim é uma das bandas mais importantes. Temos outras como Pretty Maids e King Diamonds.


Tem também o Volbeat, que não é bem metal, mas são ótimos! Todos nós nos conhecemos aqui na Dinamarca, a cena é muito grande, sempre temos novas bandas surgindo! Tenho certeza que você ouvirá mais metal dinamarquês em breve!


Gustavo Maiato: Quais seriam, na sua visão, os melhores guitarristas de thrash metal da história?


Michael Stützer: Definitivamente, eu diria que é o Gary Holt, do Exodus. Ele não é só um excelente guitarrista como um cara muito bacana. Já tocamos juntos no Japão e foi ótimo, ele foi incrível. Ele compõe ótimas músicas. Também gosto muito do Dave Mustaine, claro, existem grandes guitarristas no gênero, isso é ótimo!


Gustavo Maiato: Muito obrigado pela entrevista! Poderia deixar uma mensagem final para seus fãs aqui no Brasil?


Michael Stützer: Nós amamos o Brasil! Já tivemos grandes momentos por aí. Temos vários amigos aí como o pessoal do Torture Squad, Nervosa, são várias bandas! Mal podemos esperar para voltar ao Brasil! Adoramos o clima e a comida também! São muitas coisas boas por aí!