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Entrevista com Laars Naumenko (Sunrise): "Hoje existe uma competição muito dura dentro do power metal!"

Existe power metal de qualidade na Ucrânia. A prova disso é a banda Sunrise, que se prepara para lançar o disco “Equilibria”, quarto da carreira. O vocalista e principal compositor Laars Naumenko reservou um tempo para bater um papo comigo, que pode ser lido abaixo!


Falamos sobre o novo direcionamento musical do Sunrise, o cenário de power metal no mundo, sobre outros projetos, shows e sua relação com o Brasil! Confira!



Gustavo Maiato: O Sunrise acabou de lançar um novo single chamado “Equilibrium”. Se compararmos com a discografia da banda, o som está mais “moderno”, certo? Está um pouco mais lento, menos power metal clássico. Como você analisa essa mudança?


Laars Naumenko: Esse single é especial para a gente. A ideia era trazer coisas novas, uma abordagem mais “metal moderno”. Em todo disco que lançamos, sempre tentamos usar novos elementos, diferentes gêneros.


Dessa vez, decidimos ir nessa pegada mais moderna. É um experimentalismo. Acho que será uma boa oportunidade para atrair novos ouvintes. Pessoas que não curtem muito power podem gostar!




Gustavo Maiato: Recentemente, vocês lançaram um disco transformando músicas da banda em baladas. Uma dessas canções foi o sucesso “All This Time”. Quais foram os desafios de fazer essa transposição para esse novo formato? Como surgiu essa ideia?


Laars Naumenko: Estávamos escolhendo algumas músicas para essa performance acústica. Acredito que “All This Time” não podia ficar de fora, já que é nossa música mais famosa. Não é fácil tocar rápido nesse formato acústico. Os instrumentos soam diferentes, então decidimos tocar mais lento.


Acho que toda música rápida pode ser uma boa balada se você tocar de uma maneira diferente! Não foi um problema, apenas diminuímos a velocidade e acho que ficou legal!


Gustavo Maiato: Vocês também lançaram um DVD chamado “Through The Eyes of Infinity”. Deve ter sido um grande dia para a história do Sunrise! Vocês tocaram em Kiev, sua cidade natal, certo?


Laars Naumenko: Sim! Esse show foi em Kiev, foi um show especial onde apresentamos nosso novo álbum na época, o “Absolute Clarity”. Então tocamos muitas músicas desse disco e também de outros.


Gustavo Maiato: Vocês são da Ucrânia. Como é a cena de metal e de power metal especificamente no seu país?


Laars Naumenko: Temos uma grande cena de metal aqui na Ucrânia. Um grande número de bandas, de vários estilos. Temos death, doom, black..., mas sobre o power metal, não são muitas que tocam esse gênero. Dá para contar nos dedos!


Gustavo Maiato: Dá para considerar que vocês são os pioneiros do estilo por aí?


Laars Naumenko: Talvez! Aqui não é muito popular esse estilo. Mas nós tentamos manter esse gênero vivo por aqui!




Gustavo Maiato: No começo da sua carreira, quais foram as bandas que te inspiraram para começar no power metal?


Laars Naumenko: Comecei a ouvir no início dos anos 2000. Foi um ótimo período para o estilo. O Stratovarius estava lançando o “Infinity”. O Sonata Arctica lançou o “Ecliptica”. Hoje em dia são considerados clássicos!


Nessa época, ouvia muito também Helloween. Todos foram grandes influências para mim. Quando começamos a banda, tocamos uns covers de Stratovarius, coisas do tipo. Depois, começamos a escrever nossas músicas. Era algo bem parecido com essas bandas.


Gustavo Maiato: Sim, mas acho que o Sunrise tem sim algo bem único! Li vários comentários no YouTube dizendo que vocês são como a nova era do power metal. O que você acha disso?


Laars Naumenko: Bom, estamos tentando manter o estilo vivo! Tentamos fazer coisas novas, mas não é fácil. Esse gênero existe já por umas três ou quatro décadas! Muitos discos e bandas já fizeram história.


Não é fácil fazer algo novo dentro do gênero, os discos parecem iguais. Você pega uma banda nova e não tem nada diferente. Tudo parece que você já ouviu antes. É uma competição dura! Difícil soar novo.


No nosso disco novo, estamos utilizando elementos meio System of a Down, Fear Factory, algo de symphonic metal. Também experimentamos algo do progressivo, soando tipo Dream Theater até!


Então estamos tentando manter nossa música diferente. O ouvinte não vai ficar cansado de ouvir! Pelo menos eu acho!




Gustavo Maiato: Como é o processo de composição da banda? Você é o único compositor?


Laars Naumenko: A maioria é escrita por mim. Eu também escrevo as letras, mas em algumas músicas temos sim a contribuição de outros da banda. No novo disco, temos três músicas que foram escritas pelo nosso guitarrista.


Elas soam completamente diferente de tudo que já fizemos! Isso é bom, essa diferença será algo bom para o álbum. Todo músico da nossa banda pode dar sua contribuição, nunca foi problema.


Gustavo Maiato: Como está a situação da pandemia no seu país? Essa situação toda influenciou no novo disco?


Laars Naumenko: Nossa cidade está em lockdown. Tudo está fechado, os shows estão todos adiados ou cancelados. Não dá para fazer previsões. Não conseguimos fazer planos para shows ainda.


Pelo menos tivemos tempo para trabalhar no estúdio. Com a quarentena, tive mais tempo para trabalhar no álbum. Por isso será lançado mais rápido. Essa situação fez a banda ficar mais focada no estúdio. Trabalhamos bastante no novo disco!


Gustavo Maiato: Qual foi o seu show favorito até agora com o Sunrise?


Laars Naumenko: Não costumamos fazer grandes turnês, já que não é fácil uma banda desconhecida da Ucrânia fazer turnês pelo mundo. Eu canto em outras bandas, como um tributo ao Iron Maiden aqui. Fazemos bastantes turnês! Tipo 100 shows por ano!


Por isso não tenho muito tempo para compor novas músicas. Fazer turnês é ótimo, muito divertido. Adoro conhecer outros países, me comunicar com pessoas em todo mundo. Já tocamos em lugares pequenos, clubes, e também lugares grandes. Para centenas ou milhares. É sempre uma experiência interessante.


Gustavo Maiato: Você também está na banda Delfinia, certo? Na música “Do You Remember”, vocês contaram com a participação de ninguém menos do que Roland Grapow, ex-Helloween e ex-Masterplan! Como foi essa experiência?


Laars Naumenko: A Delfinia não é uma banda propriamente dita. É um projeto de estúdio meu. Podemos considerar um projeto solo, mas não é bem solo porque a Daria, do Sunrise, também está nele.


Fiz esse projeto para ter mais experiência. É muito bom trabalhar com vários músicos de todo o mundo. Tive a oportunidade de convidados como o Roland Grapow e também o Olaf Thorsen.


No caso do Roland Grapow, foi algo bem interessante! Eu tinha essa música que parecia muito Masterplan. Fiquei me perguntando quem poderia tocar o solo de guitarra dessa faixa. Do nada, estava vendo meu Facebook e vi um post do Roland Grapow dizendo que ele estava em uma cidade aqui na Ucrânia.


Achei aquilo fantástico! O Roland Grapow aqui na Ucrânia! O que ele estava fazendo aqui? Então pensei, bom, tenho essa música que seria ótimo se ele tocasse. Decidi perguntar para ele se ele queria tocar.


Ele foi muito simples, legal e simpático. Concordou em tocar sem problema, foi ótimo falar com ele. Foi uma experiência fantástica! Não pude acreditar que ele aceitou tocar em uma música minha. O Helloween sempre foi uma lenda para mim! Foram meus professores na música.


Gustavo Maiato: Você tem alguma história particular envolvendo o Brasil na sua carreira? Conhece alguma banda daqui?


Laars Naumenko: Sim, acho que todo fã de power metal conhece o Angra! É uma banda muito boa. Lá atrás eu ouvia muito Soulfly também. Ouvi muito Aquaria! Não foram muitos artistas que ouvi, mas vocês têm muitas bandas de vários gêneros. Tem o Sepultura também. São ótimos.


Nosso designer que já fez umas quatro capas nossas também é brasileiro. Ele se chama Jean Michel. Ele é um artista fantástico! Fez as artes do “Absolute Clarity”, do DVD “Through The Eyes of Infinity”, fez também para o Delfinia.


Ele é ótimo, você verá o trabalho dele no novo disco. Eu adorei a capa! Tem muita gente talentosa no Brasil! Todos no mundo precisam saber que no Brasil existem pessoas maravilhosas.


Todos precisam ir pelo menos uma vez no Brasil! Eu sonho em visitar aí, quem sabe um dia eu vou!