Imagem capa - Entrevista exclusiva com Marina La Torraca:
Entrevistas

Entrevista exclusiva com Marina La Torraca: "Aprendi vinte músicas em duas semanas para tocar com o Avantasia!"

MARINA LA TORRACA é uma daquelas pessoas que fazem o brasileiro ter orgulho de suas crias. Sucesso aqui e (principamente) lá fora, a vocalista foi a segunda brasileira a integrar o Avantasia, é uma das quatro cantoras do quarteto internacional Exit Eden e acabou de lançar 'Titanium', o segundo disco de sua banda autoral Phantom Elite. Bati um papo exclusivo com a cantora, que revelou como é viver na Alemanha, sua trajetória no teatro musical e os planos para 2021. Confira o longo papo abaixo!! Boa leitura!


Gustavo Maiato: Como está a vida aí na Alemanha? Mesmo com a quarentena, você conseguiu lançar o novo álbum do Phantom Elite, chamado ‘Titanium’...


Marina La Torraca: Infelizmente a promoção do disco no cara a cara com shows não foi possível. Simplesmente não temos como fazer turnês. Mas decidimos lançar mesmo assim!


Gustavo Maiato: Qual a sua avaliação da evolução da banda em relação ao disco anterior?


Marina La Torraca: Acho que teve uma mudança grande. O line up mudou completamente, só sobrou eu da primeira formação! Isso refletiu bem. Sempre escrevemos juntos. Isso continua. Então tudo mudou.


Gustavo Maiato: Para quem não sabe, o Phantom Elite começou como uma espécie de projeto capitaneado pelo Sander Gommans (ex-After Forever). Como foi esse começo da banda? Como você conheceu o Sander?


Marina La Torraca: Conheci ele quando eu fui gravar um disco da minha primeira banda aqui na Europa. Ele foi o responsável pela mixagem. Gravei com a Amanda Somerville também. Ela é a esposa dele. Conheci os dois nessa ocasião. Isso faz muito tempo! Uns 9 anos por aí...


Depois de alguns anos, eu estava um pouco afastada dos palcos e queria voltar a cantar. Fui perguntar para o Sander se ele conhecia alguma banda que estava precisando de cantora. Ele falou para a gente conversar, porque estava com uma ideia de fazer uma banda ao vivo para cantar as músicas do HDK, projeto de estúdio dele que nunca tinha saído para tocar em nenhum lugar.


O plano era esse. Eu topei. Fomos procurar músicos para fazer parte desse grupo. Acabamos começando a fazer nossas próprias músicas. Então, pensei que precisávamos de um nome. Não era só “HDK Live”, era algo a mais. Daí surgiu o Phantom Elite.





Gustavo Maiato: É legal trabalhar com o Sander? Ele é uma pessoa tranquila de lidar?


Marina La Torraca: Nossa, ele é muito tranquilo! Hoje em dia ele é meu amigo. Começamos como colegas de trabalho, mas nos damos super bem no nível pessoal. Ele é muito bacana, um cara super fácil de trabalhar. Perfeccionista para caramba, mas ao mesmo tempo ele não dá chilique. Não é diva nem nada. Mas é chato com a qualidade do conteúdo. Tudo tem que estar muito bom.


Gustavo Maiato: Agora em ‘Titanium’ ele também esteve envolvido com o Phantom Elite? Qual foi o papel dele nesse segundo registro? Como foi o processo de composição?


Marina La Torraca: Ele estava presente, mas afastado. Muito por questões pessoais. Ele e a Amanda tiveram duas gêmeas. Eles já tinham uma filha. Ou seja, ele não dava conta de fazer nada! Ele pediu desculpas e deu um passo para trás.


Mas em termos de composição, acabou que não mudou muita coisa, pois estávamos bem ativos com nosso guitarrista novo, o Max van Esch. Ele é super criativo, vinha com várias ideias uma atrás da outra. Conseguimos trabalhar sozinhos. O Sander ajudou na coprodução, analisou as letras, deu feedback. Falava “isso está funcionando... Isso está bom...”.




Gustavo Maiato: A banda se encontrou fisicamente para compor?


Marina La Torraca: Sim. A gente começou a escrever em 2019. Então foi antes da pandemia. Nos encontramos muito no verão. O problema todo foi na época da gravação. Precisei gravar aqui em casa com um cobertor na cabeça!


Gustavo Maiato: Para melhorar a acústica? (risos)


Marina La Torraca: Isso! Depois eu montei um painel com um edredom aqui na minha sala, mas antes eu não tinha isso!


Gustavo: Pelo menos o resultado ficou bom! No disco vemos que a qualidade ficou ótima! Falando sobre o disco, o comentário mais curtido do vídeo da ‘Diamonds And Dark’ no YouTube é de um fã que escreveu que a música parece uma mistura de Amaranthe com Nightwish. Em que medida você concorda com isso?


Marina La Torraca: Nossa! Eu acho que não concordo muito! Nem um pouco! Acho que assim... Dá para entender por que o Amaranthe foi mencionado. Temos um som moderninho. O Nightwish deve ser por causa dos corais ali no pré-refrão. Acho que só isso!


Gustavo Maiato: Outra música que me chamou muita atenção é a música que dá nome ao trabalho, a ‘Titanium’. A guitarra é bem pesada e tem uma abordagem bem moderna. Mas ao mesmo tempo tem aquela coisa da melodia... Poderia comentar um pouco sobre essa música?


Marina La Torraca: Essa música foi difícil de completar. A gente queria que o álbum tivesse alguma música que fosse mais progressiva, com espaço para os instrumentos fazerem aquelas coisas loucas.


Começamos com algumas ideias, jogamos tudo fora, ficou só um riff... Mudamos tudo. O tema da letra eu já tinha desde o começo. Eu queria que fosse a faixa-título. Então tinha esse peso de ser o título, tinha que fazer sentido.


Os meninos se encontraram e escreveram aquela parte do meio. Isso foi em uma madrugada, com várias cervejas! Não foi nada acadêmico o processo dessa parte da música! Foi uma inspiração que veio.


Gustavo Maiato: E tem algum tema que esteja por trás de todas as músicas? Ou cada uma lida com um assunto diferente?


Marina La Torraca: As músicas falam sobre assuntos diferentes. A moral da história é a mesma. Tem a ver com isso do ‘Titanium’, que é o que amarra. É o conceito de “resistência”. Sobre as adversidades que existem, precisamos lutar e sair por cima. Tem tudo a ver com a situação da banda. Uma metáfora sobre como a banda quase acabou e levou vários chutes na bunda.


Mas conseguimos dar a volta por cima. Queríamos simplesmente continuar e lançar um álbum. É muito trabalho colocar um produto no mercado que a gente se orgulhe, que apoie 100% o que foi feito. Nunca atingimos a perfeição, talvez eu regravasse uma coisa ou outra, mas enfim.


Gustavo Maiato: A banda então estava por baixo, quase acabando?


Marina La Torraca: Sim, estava inativa há muito tempo. O pessoal estava saindo da banda um por um. E outra... A questão financeira. Não é fácil para uma banda independente.





Gustavo Maiato: Acaba sendo melhor financeiramente falando vocês tocarem em outros projetos que são mais conhecidos...


Marina La Torraca: É verdade, mas para isso falta oportunidade. Acho que para qualquer um da banda, quem tiver a oportunidade de se juntar a um projeto conhecido, vai topar! Não é fácil! A gente estava pensando se valeria a pena tudo isso. Se faz sentido. Uma dessas pessoas que saiu da banda acabou que foi muito turbulenta a separação. Foi um pesadelo por um tempo. Pensamos em não fazer mais nada...


Gustavo Maiato: Vocês ainda não têm planos para sair em turnê, certo?


Marina La Torraca: Infelizmente não. Claro que estamos sempre de olho nos booker por aí. Tem que ser uma turnê que faça sentido. Uma turnê pequena não vai rolar nesse pós-pandemia. São duas coisas que precisam casar.


Temos que ter a oportunidade de entrar em uma turnê maior. Isso é difícil. Também precisamos encaixar o timing. Tem que ser lá para o fim de 2022 acho. É melhor do que nada. O ideal seria no final de 2021. Senão vamos lançar o próximo álbum e não faríamos nenhuma turnê do ‘Titanium’. Pode ser, fazer o que...


Gustavo Maiato: Eu queria falar sobre outros temas agora. Você mora na Alemanha tem um tempo. Como a cena de metal do Brasil é percebida aí? É comentado? De alguma forma, alguma banda tem notoriedade aí?


Marina La Torraca: Não muito. Só as que têm mesmo. O Sepultura é bem conhecido por aqui. Bastante. Agora, nem o Angra é muito famoso aqui... Raramente as pessoas conhecem. Infelizmente é isso. Outra banda conhecida por aqui é o Semblant, da gravadora Frontiers. A Nervosa está tendo bastante visibilidade por aqui também.


Acho que as bandas que conseguem sair do circuito nacional têm visibilidade. A galera aqui não tem a menor ideia do circuito nacional no Brasil.


Gustavo Maiato: Você começou sua carreira aqui no Brasil. Qual foi a grande diferença quando você foi para a Europa?


Marina La Torraca: A grande diferença é que a cena é mais levada a sério aqui. Tem mais dinheiro no business rolando. As maiores gravadoras estão aqui, os maiores festivais. Tudo isso gera receita para todo mundo.


Temos o Wacken aqui, por exemplo. Isso já significa mais oportunidades para bandas que estão começando. Quando eu estava no Brasil, minha percepção é que só tinha uns clubes pequenos. Eu sou de São Paulo, poderia dar exemplos de onde eu tocava... Eram casas menores, não tinha a menor visibilidade em termos de mercado.


Aqui, tem um jeito de ter visibilidade. Dá para tocar em casas de show que não são gigantescas, mas também não são completamente fuleiras! Um meio termo que é muito bom. As bandas aqui também têm uma mentalidade diferente. Por causa do mercado, as pessoas aqui não são melhores nem nada, mas possuem uma mentalidade de negócios.


Gustavo Maiato: Você está há quanto tempo aí?


Marina La Torraca: 10 anos!


Gustavo Maiato: Como surgiu essa possibilidade para você se mudar? Foi a carreira que foi levando você para aí? Ou você já tinha essa ideia dentro de você desde sempre?


Marina La Torraca: Eu trabalhava em um cruzeiro. Meu objetivo era juntar uma grana para fazer alguma coisa útil depois! Eu estudava na USP. Lá as férias eram bem longas. Eu fui estudar alemão então. Eu vim e acabei ficando!


Não estava a fim de voltar. Foi uma decisão espontânea. Eu não falei “vou ficar”. Eu fui ficando... Primeiro mais seis meses, consegui um trabalho. Me matriculei na Universidade aqui e fui ficando.





Gustavo Maiato: Teve alguém do meio musical que foi como um padrinho ou madrinha para você quando você foi para a Europa?


Marina La Torraca: Sim! O Sander e a Amanda! Eles são meus padrinhos do metal. Sempre tem alguém que acredita em você. Tem que ter, senão fica muito difícil!


Gustavo Maiato: O que você sente mais falta aqui do Brasil?


Marina La Torraca: Sinto falta das pessoas no geral. Não é clichê quando as pessoas falam que o pessoal aqui é mais seco, frio. É verdade, a galera é estranha, pelo menos para mim. Eu ainda acho as pessoas estranhas.

Eles são boa gente, mas são costumes que você acaba achando estranho. Sinto muita falta da língua, das referências também. Não dá para fazer a piada do Chaves aqui! Não dá para rir dos memes!


Gustavo Maiato: Falando um pouco sobre o Avantasia. Você integrou a banda durante um tempo. Você foi a segunda representante do Brasil na banda, depois do Andre Matos!


Marina La Torraca: É verdade, que honra isso!





Gustavo Maiato: Como foi esse convite? Foi a Amanda que fez essa ponte, certo?


Marina La Torraca: Exatamente! Surgiu uma emergência na família dela enquanto ela estava na turnê. Isso foi em 2016. Ela precisava de alguém e me disse que o pessoal da banda aceitaria melhor a ausência dela se ela já chegasse com algum nome para indicar.


Gustavo Maiato: Você foi a primeira opção hein!


Marina La Torraca: Pois é! Eu estava com muita moral! Espero que eu esteja ainda! Foi super legal da parte dela de me convidar. Foi de última hora, mas não reclamo. Aceitei o desafio. Ela disse que eu tinha duas semanas para aprender o set inteiro. Sem ensaio!


Gustavo Maiato: Você cantou não só as partes solo, mas também os backs de todas as músicas né...


Marina La Torraca: Todas as músicas! Tenho um bolo dos livros de coro do Avantasia aqui comigo. Com todas as vozes. Eu precisava aprender sempre a mais alta, claro! Foram umas vinte músicas em duas semanas.


Gustavo Maiato: Tem alguma história que você lembra dessa turnê que foi inusitada?


Marina La Torraca: Lembro que uma vez a gente estava no ônibus. O Jorn se atrasou para caramba, ele estava dormindo. Todo mundo ficou esperando! Ele costumava sair do show já com uma cerveja para o backstage e depois para o hotel. Ele é um dos mais legais da banda!


Gustavo Maiato: Outro projeto que você se envolveu foi o Exit Eden. Além de você, a banda contou com outras três vocalistas: a Amanda Sommervile, a Clémentine Delauney e a Anna Brunner. Essa formação é inédita dentro do metal! Como surgiu esse convite para essa banda e como foi a experiência?


Marina La Torraca: De novo quem me chamou para essa banda foi a Amanda! Devo bastante coisa a ela! Ela ficou sabendo do projeto através dos produtores. Era um projeto completamente vindo de cima. Foi uma gravadora aqui da Alemanha que tem bastante dinheiro.





Gustavo Maiato: Tipo a Frontiers hoje em dia que está gastando bastante dinheiro né!


Marina La Torraca: Sim! A Frontiers está cheia de projetinho! Mas posso dizer que essa gravadora desembolsou muito mais do que a Frontiers.


Gustavo Maiato: Dá para perceber pelos clipes do Exit Eden que são verdadeiras super produções!


Marina La Torraca: Sim! A intenção era fazer desse projeto uma coisa mainstream nos países de língua alemã. Mas acabou ficando metal demais. Eles envolveram a Napalm na distribuição e tudo. Achei isso estranho, se a intenção era ser mainstream, acho que eles focaram muito no metal.


As músicas são pesadas demais, têm solo para caramba. Aqui na Alemanha tem muita gente que acaba fazendo sucesso mesmo não sendo famosas no mainstream. Tem muita coisa que é montada dessa forma. Eles botaram bastante grana. O projeto era para ser com vocalistas maiores, mas todas recusaram!





Gustavo Maiato: Acho que não ficou demais vocês quatro... Tem o Northern Kings que são quatro caras. Então é como se fosse um contraponto com vocalistas mulheres.


Marina La Torraca: Exatamente! Foi assim. A Amanda me chamou e a Clémentine veio por indicação da Napalm.


Gustavo Maiato: Vocês chegaram a fazer alguns shows com o Exit Eden, certo?


Marina La Torraca: Sim! A gente fez poucos shows, mas foram grandes. Como no Wacken em 2018. A Amanda ficou grávida no lançamento do CD. Não foi ruim, porque tornou o ato mais exclusivo. Um show só! Acho que é uma estratégia. Não foi de propósito, mas funcionou!


Gustavo Maiato: O Exit Eden faz basicamente versões em metal sinfônico de grandes hits da música pop. Vocês puderam optar na escolha dessas músicas?


Marina La Torraca: Não! Eu cheguei lá com as músicas todas prontas e arranjadas. Eu gostei para caramba das versões! A única que eu não gosto é a ‘Heaven’! Nunca gostei, acho muito chata! De resto, adorei.


Gustavo Maiato: Em um hipotético segundo disco do Exit Eden, qual música você escolheria para entrar?


Marina La Torraca: Temos muitas ideias! Eu e as meninas já fizemos listas e mais listas! Tem uns dois grupos de WhatsApp onde a gente só fala isso! Particularmente, eu gostaria de cantar alguma música da Billie Eilish, algo bem minimalista, indo para o sinfônico.


Qualquer música do ABBA também funcionaria. Tenho algumas favoritas da Taylor Swift. Já tem Backstreet Boys! Quanto mais nada a ver melhor. Se for uma coisa parecida... Não vejo sentido. Tipo cover do Nightwish. Seria chato, é muito igual.






Gustavo Maiato: Essa banda mostra bem como está o novo cenário para as vocalistas mulheres dentro do metal sinfônico. Antigamente, só mulheres com vocal lírico tinham destaque no gênero. Hoje em dia, tem espaço para outros estilos, como o seu. Vemos isso no Exit Eden. Como você avalia isso? Ficou mais fácil de certa forma ser uma cantora de sinfônico?


Marina La Torraca: Acho que sim. Não é que está mais fácil. É uma coisa natural. O lírico foi um estrondo. Fez muito sucesso, mas saturou um pouco. As pessoas começaram a fazer outras coisas. Lembro que na época do Evanescence, quando lançaram o ‘Fallen’, foi aí que as coisas mudaram.


A partir daí todo mundo falou “dá para uma mulher cantar diferente”. Todos começaram a querer ir para o pop. Até a Tarja tentou. Hoje em dia, as possibilidades são inúmeras. Tem várias cantoras por aí fazendo gutural como o Jinjer e o Arch Enemy. São mais referências.


Nesse sentido, ficou mais fácil para as meninas que estão começando e querem cantar metal. Tem várias opções. Eu comecei a cantar com 15 anos. Na minha época, já era uma coisa super estranha não cantar lírico.


Eu não cantava lírico. Na verdade, eu só comecei no lírico quando me envolvi com teatro musical e tive aulas de lírico. Hoje eu acho super bacana. Mas no início, eu tinha aversão ao lírico! Detestava! Me recusava a cantar! Hoje as coisas mudaram.


Gustavo Maiato: Falando sobre musicais, eles foram uma grande escola para você, certo?


Marina La Torraca: Foi sim. Quando eu terminei meus estudos aqui na Alemanha, tive mais tempo para me dedicar na carreira de cantora. Então comecei a fazer vários shows por aqui. Fiz turnês inclusive. Fiz muitos daqueles shows “best of”. Fiz também o musical “Rent”, é bem conhecido, tem até um filme dos anos 90. Um musical meio rock! Fiz o papel principal nessa turnê aqui na Alemanha, na Suíça e na Áustria.


A partir de um momento, achei muito difícil ficar nessas turnês. Fiz isso por anos, mas preferi tentar outra coisa mais estável. Dentro de casa, nos bastidores, em estúdio, gravando outras pessoas.


Gustavo Maiato: O que você acha que esse mundo do musical mais te ensinou e que você usa na sua carreira dentro do metal?


Marina La Torraca: Me ensinou demais! Primeiro, é um meio onde a galera é muito boa. Geralmente se a pessoa está no elenco, ela é boa tecnicamente. É um nível super alto. Você sempre precisa se esforçar e fazer as coisas da melhor maneira possível. Os shows são muito puxados. Um atrás do outro.


Se você está fazendo um show no estacionamento de um teatro, não tem essa de “ah, hoje minha voz está meio ruim”. Aprendi muito a ser menos frescurenta. Não adiante ficar dando desculpinha. Nossa voz quase nunca está perfeita. Tem ar-condicionado, você está resfriado... Tem que cantar de qualquer jeito!


Cheguei a fazer dezoito shows sem um dia de folga! Quando era minha vez de folgar, a menina que ia me substituir ficou doente. Ou seja, eu era a única que podia substituir! Foi direto, sem folga! Se você não está preparado, já era!


No metal, é um show aqui, outro ali. É mais espaçado. As bandas menores em turnês grandes não, essas precisam fazer bastante show. Dia de folga é dia que se perde dinheiro. Bandas menores marcam até 10 shows seguidos! Mas é isso... Essa experiência no teatro me preparou para esse cenário de shows puxados no metal.


Além disso, se eu chego em um vídeo, não vou ficar inspirando me dar uma inspiração. A câmera liga, você faz o que é para fazer e pronto. Nesse sentido, me deu mais certeza, segurança para ser rápida, para aprender rápido. Para pular no Avantasia sem ensaio. Ensaiei em casa e deu certo.


Gustavo Maiato: E sobre esse ano. Quais são os projetos? Além do Phantom Elite, teremos participações especiais?


Marina La Torraca: Espero que sim! Fiz uma participação especial no próximo CD do Timo Tolkki, ex-Stratovarius. Não vou cantar tudo, mas serão umas três músicas ao todo. Está bem power metal raiz! Tem uma baladinha também. É bem Stratovarius!


Por enquanto é isso. Tenho outros projetos. Pode ser que saia do papel um pela Frontiers. Pode ser que o Exit Eden saia também, mas aí é mais para o ano que vem.