Imagem capa - Entrevista com Herbert Glos (Dragony): “Escrevemos uma versão alternativa da Primeira Guerra mundial com magia, zumbis e demônios!” por Gustavo Furtado Gonçalves Maiato
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Entrevista com Herbert Glos (Dragony): “Escrevemos uma versão alternativa da Primeira Guerra mundial com magia, zumbis e demônios!”

Recém-contratados da Napalm Records, a banda austríaca DRAGONY vai lançar no dia 15 de janeiro o álbum Viribus Unitis – o quarto da carreira. Na história conceitual, a Primeira Guerra mundial tem um desfecho diferente do que realmente aconteceu, com uma trama envolvendo magia de verdade em meio ao fim da dinastia Habsburgo, que dissolveu o Império Austro-Húngaro.


Bati um papo exclusivo com o baixista Herbert Glos – que também toca no Visions of Atlantis – sobre o lançamento do novo disco e também sobre a relação da Áustria com o Brasil e sobre cultura nerd. Boa leitura!





Gustavo Maiato: Agora em janeiro, o Dragony vai lançar o álbum Viribus Unitis, quarto disco da carreira da banda e o primeiro sob o selo Napalm Records. Como podemos comparar esse novo trabalho em relação ao anterior Master of the Multiverse? Será algo completamente diferente?


Esse disco é conceitual, conta uma história completa. Para o Dragony isso é como se fosse uma volta às raízes, já que nosso primeiros disco Legends também conta uma história completa. Os dois discos do meio não são assim, não possuem essa ligação entre as faixas. Com o Viribus Unitis, voltamos com esse formato.


É uma história bem singular. Queremos contar o final da dinastia Habsburgo e contar sobre a Primeira Guerra, mas da nossa maneira, em um mundo onde a magia é real. Outra mudança foi em relação ao engenheiro de som. Dessa vez estamos trabalhando com o Seeb Levermann, que já trabalhou com o Orden Ogan. Nós queríamos um som de guitarra mais pesado e sabemos que ele conseguiria criar essa sonoridade.


Eu achei o resultado muito bom, ele é um cara ótimo. As faixas em si demoraram um pouco para serem escritas. Nós diversificamos o som. Se compararmos com o Masters, nós não fizemos uma orquestração em todas as faixas, mas nas que têm orquestração, decidimos dar mais espaço para isso. Acho que foi uma evolução da nossa escrita.


Foi difícil escrever as músicas durante a pandemia?


Sempre fomos uma banda que trabalhou muito de maneira on-line. Não nos vimos pessoalmente com frequência. Então muitas coisas já rolavam pela internet. O nosso outro guitarrista, por exemplo, sempre escreve usando o Guitar Pro. Se alguém escreve alguma coisa, a gente vê se dá para usar agora ou talvez deixar na gaveta para um próximo disco.





Falando um pouco sobre o single God of War. A letra é como se fosse uma oração para que deus ajude os soldados na batalha. Qual a mensagem principal dessa faixa?


É a primeira faixa, ela começa a contar a história que se desdobrará depois. A música fala sobre o evento histórico que ficou conhecido como Compromisso Austro-Húngaro, que aconteceu em 1867, estabelecendo a monarquia do Império Austro-Húngaro.


Já na faixa Golden Dawn temos a aparição do personagem Rudolph, o arquiduque...


Isso mesmo, na linha cronológica da história é mais para frente. A Primeira Guerra já está acontecendo e não está indo muito bem para as forças austro-húngaras. Foi assim na história de verdade. Mas na nossa história, o Rudolph ainda está vivo porque ele não conseguiu se matar. Ele entrou em uma depressão profunda e começou a se envolver com magia negra.


Então, em sua última tacada para tentar mudar o destino da guerra, ele tenta ressuscitar a imperatriz Isabel da Baviera. Assim, a vitória poderia chegar. Porém, o ritual dá errado e a imperatriz volta à vida, mas possuída por um demônio.


Ela vira a Imperatriz da Morte, com um exército de mortos-vivos. Ela tenta matar todos os seres vivos e todas as nações precisam se juntar para tentar derrotá-la.


Vocês assinaram com a Napalm Records recentemente. O que mudou no dia a dia da banda?


É ótimo trabalhar com eles. Uma empresa maravilhosa, com pessoas maravilhosas. Em relação ao processo de composição e gravação não mudou muita coisa. Mas foi ótimo assinar com uma grande gravadora. O que mudou muito foi o marketing. O alcance agora é muito maior. Antes, a gente batalhava muito para conseguir divulgar nossa música. Agora, nós demos duas vezes mais entrevistas do que em toda a história da banda!


O som do Dragony combina o Power Metal tradicional com alguns elementos de Symphonic. O fato de vocês terem assinado com a Napalm pode ser entendido como um sinal de que esse gênero está se tornando mais popular hoje em dia?


A Napalm tem muitas bandas que trabalham temas específicos nas letras. Tem o Gloryhammer, Powerwolf, Sabaton etc. Hoje, esse metal mais melódico está conectando mais com as pessoas. Nós não mudamos nada, não pensamos “agora precisamos de músicas chiclete”, nós sempre fizemos isso!





O Brasil tem uma conexão especial com a Áustria. Na época em que éramos colônia de Portugal, nossa primeira imperatriz – Maria Leopoldina – era austríaca, da casa Habsburgo também. Você conhece essa história? A Maria Leopoldina é comentada na Áustria?


Na Áustria, todas as imperatrizes acabaram ofuscadas pela Sissi (nota: apelido carinhoso para a imperatriz Isabel da Baviera). Mas eu sei que o Brasil tem muita conexão grande com a casa Habsburgo.


Sabemos que a Áustria acabou derrotada na Primeira Guerra. Como esse assunto é abordado no seu país? Existe algum tipo de orgulho dessa época? Isso é ensinado nas escolas, por exemplo?


Sim, nós aprendemos sobre isso. Aprendemos que impérios sempre existiram. Alguns alcançaram um enorme poder e depois caíram. Entendemos que o Império Austro-Húngaro e a casa Habsburgo é um exemplo disso, talvez um dos mais recentes na história.


Você pode até falar que hoje em dia os austríacos esperam ansiosamente pelo passado. Aprendemos na escola, mas ao mesmo tempo aprendemos sobre a Segunda Guerra também, que foi muito maior e mortal, foi muito pior.


Vocês criaram uma versão alternativa da Primeira Guerra. Como seria uma versão alternativa dessa crise do novo coronavírus que estamos vivendo?


Eu acho que essa crise nunca teria acontecido! Não iríamos permitir!


Normalmente, pessoas que gostam de Power Metal gostam muito de filmes de fantasia como “O Senhor dos Anéis” e outras coisas nerds. Você também é assim?


Sim! Aqui no Dragony cada um gosta de uma coisa, mas todos nós somos nerds assumidos! O tema desse disco veio porque gostamos de filmes como Bastardos Inglórios e Abraham Lincoln: Caçador De Vampiros. São histórias que se aproveitam de pessoas reais e inventam algo em cima.


Gostamos muito de vídeo games também. Eu sou muito fã de The Legend of Zelda e Dark Souls. Jogo muito Magic The Gathering também.




Com qual cor você joga no Magic?


Eu jogo com todas!


Qual você prefere mais?


Nos últimos dois anos eu tenho jogado mais o formato commander, com um deck de dragão com cinco cores! Eu tenho um deck preto e branco também, tenho outro no formato standard, tenho um commander azul também. Mas a cor que eu mais joguei na vida eu acho que foi a vermelha!


A música com maior quantidade de streamings do Dragony no Spotify é a música “If It Bleeds We Can Kill It”. Por que você acha que essa música é um dos maiores sucessos da banda?


Porque é uma música muito grudenta. Tem um ótimo videoclipe que foi divertido demais de fazer. É uma música fácil de ouvir e você não consegue tirar ela da cabeça durante dias!


Recentemente, o Sabaton lançou também um disco sobre a Primeira Guerra, chamado The Great War. Como podemos traçar um paralelo com o Viribus Unitis?


O Sabaton sempre foi uma banda que falou sobre temas históricos. Eles são ótimos no que fazem. Não dá para competir com o Sabaton! Eles têm muitos tanques!


Mas vocês têm uma imperatriz zumbi!


Sim! Mas acho que não dá para competir com um tanque! De qualquer forma, essa nossa ideia para o disco foi pensada pela gente antes deles lançarem o The Great War. Não tem nenhuma conexão, é nossa própria forma de contar a história, focada na casa Habsburgo. Aliás, a nossa primeira faixa, Gods Of War, é coescrita pelo Tommy Johansson, guitarrista do Sabaton!


Nos últimos tempos, os olhos do mundo do Heavy Metal se voltaram para a Áustria. Bandas como Edenbrigde e Visions of Atlantis – que você integra também, estão fazendo enorme sucesso. Dá para falar que a Áustria está vivendo seu melhor momento nesse sentido?


Eu espero que sim! Normalmente a Áustria é ofuscada pelas bandas da Alemanha. Eles têm muitas bandas de Metal grandes! Talvez seja a hora de uma banda da Áustria ficar enorme. Temos também o Belphegor, Summoning...


Você conhece alguma banda do Brasil? Temos uma grande banda de Power Metal aqui, o Angra...


Sim, eu amo Angra! Eu já vi um show deles ano passado em Viena. Agora eles estão com o Fabio Lione.


Falando no Fabio Lione, você deve gostar de Rhapsody também, certo?


Eu gosto de todos os Rhapsodys!


O que você achou de o Fabio deixar o Rhapsody e se juntar ao Angra?


Eu não sei, fico muito confuso com essas mudanças de line-up. Mas se você tiver uma chance de ver o Rhapsody ao vivo, minha sugestão é ir lá e ver!


Apesar de estarmos no meio da pandemia, vocês já têm planos para turnês em 2021?


É difícil planejar uma turnê no momento. Todos os dias vemos notícias de bandas adiando ou cancelando turnês. Estamos negociando, mas não tem nada para ser anunciado. Queremos fazer um show de lançamento do disco em Viena, nossa cidade natal, no meio de fevereiro, se for possível.


Queremos fazer shows no formato live streaming também, temos planos de shows ao vivo, um festival na República Tcheca, mas não tem nada certo. Precisamos ver o desenrolar da pandemia.