Imagem capa - Os 15 melhores álbuns lançados em 2020 por Gustavo Furtado Gonçalves Maiato

Os 15 melhores álbuns lançados em 2020

Chegou o grande dia! Hora de publicar a lista dos “15 melhores álbuns de Heavy Metal lançados em 2020”. Nesse ano assolado por pandemia, crise econômica e falta de perspectiva, a música foi o grande colete salva vidas, o ponto de luz no final do túnel que iluminou esses últimos doze cabulosos meses.


Sem mais delongas, vamos à lista! Do “pior” para o melhor!


15- “Alethea” – Aquaria


Em 2005, os brasileiros do Aquaria iniciaram uma das mais importantes sagas conceituais do Power Metal nacional com o saudoso “Luxaeterna”. A sequência da história veio em 2007, com o “Shambala”, e agora finalmente foi lançado “Alethea”, para completar a trinca.


O disco conta a história de uma deidade que viaja no tempo para impedir uma catástrofe iminente. Musicalmente, o disco bebe da fonte do Power europeu, como Stratovarius e Helloween, com o vocalista Vitor Veiga entregando um timbre na medida para o gênero. Um trabalho de orgulhar qualquer tupiniquim!


Música de destaque: “The Quest”





14- “In Nomine Éireann” (Tuatha de Danann)


“In Nomine Éireann” (ou, “Em Nome da Irlanda”) é o sugestivo nome do sétimo álbum do Tuatha, maior nome do Folk Metal brasileiro, que desde 1995 vem cravando suas raízes em solo irlandês e vendo seus galhos florescerem em terras tupiniquins. Dessa vez, o setlist é quase 100% focado em releituras de músicas tradicionais irlandesas. Ou seja, o time está jogando em casa e com o apoio da torcida.


A festa comandada por Bruno, dono dos vocais, guitarras, banjo e outros instrumentos teve convidados de honra, com destaque para Daísa Munhoz (Soulspell), uma das maiores cantoras brasileiras de Metal de todos os tempos, que emprestou sua voz em “The Wind That Shakes The Barley”, canção tradicional.


Música de destaque: “The Wind That Shakes The Barley”





13- “The Book Of Fire” – Mono Inc.


Habitando no ponto de convergência entre Depeche Mode, Johnny Cash e clássicos do Gothic Metal de voz grave como HIM ou The 69 Eyes, os alemães do Mono Inc. entregaram em “The Book of Fire” mais um trabalho com as já esperadas belas e criativas melodias acompanhadas pelo timbre cristalino de Martin Engler em sintonia com sua companheira de microfone Katha Mia, que além de abrilhantar o disco com sua bela e aguda voz, também é a baterista do grupo.


Assim, o décimo-primeiro trabalho de estúdio do quarteto emenda acertos atrás de acertos, com destaques para “Louder Than Hell”, “Death Or Life” e “Where The Raven Flies”, essa última com um belíssimo refrão daqueles para cantar abraçado de olhos fechados.


Música de destaque: “Where The Raven Flies





12- “Obscura” – Semblant


Uma vocalista com cabelos azuis, tocando Heavy Metal moderno, com sucesso internacional e sob contrato de um grande selo. Se o nome “Arch Enemy” surgiu na cabeça, é melhor olhar para dentro, mais precisamente para a cidade de Curitiba, capital paranaense e lar do Semblant, mais um produto nacional de qualidade exportado com sucesso alavancado pelo mais recente disco, “Obscura”, lançado pela Frontiers Records.


O sexteto fez por merecer o sucesso, com uma produção caprichada e proposta que sai da caixinha em diversas ocasiões. Assim, o grande destaque é a dupla de vocais, comandada por Mizuho Lin e Sergio Mazul, que protagonizam interpretações inspiradas. Além, é claro, do instrumental coeso e poderoso, com bons riffs, arranjos de teclado e variações de ritmo que empolgam e não deixam a peteca cair.


Música de destaque: “Mere Shadow





11- “Virus” – Haken


O sexto disco dos ingleses do Haken traz uma abordagem moderna e sóbria para o Prog Metal. Sai tecladinhos e escalas mirabolantes, entram convenções de bateria, riffs pesados e a voz de Ross Jennings cantando sobre temas do cotidiano como traições e decepções.


Músicas como “Prosthetic” e “Invasion” trazem, ainda, um quê de Djent, com as guitarras secas martelando. Por fim, da faixa 6 até a 10, vemos uma única música chamada “Messiah Complex”, que é dividida em cinco partes bem marcantes.


Música de destaque: “Prosthetic





10- “Curse of the Crystal Coconut” – Alestorm


Depois de lançar um disco cantado por latidos de cachorro e um clipe com a participação de Peter Dinklage, o anão de Game of Thrones, os holofotes daqueles que não se levam tão a sério e estão em busca de uma boa diversão se voltaram para o mais novo lançamento do Alestorm, os reis do metal com temática pirata (me desculpe, Running Wild).


Assim, “Curse Of The Crystal Coconut” foi lançado e as gargalhadas estão mais do que garantidas, a começar com a voz cheia de sotaque de Christopher Bowes que transporta o ouvinte instantaneamente para uma briga de bar em Tortuga no meio das gravações de “Piratas do Caribe”.


Música de destaque: “Fannybaws





9- “Quadra” – Sepultura


A nova formação do Sepultura atingiu a maturidade completa com o lançamento de “Quadra”. O grande destaque é Eloy Casagrande, o baterista prodígio que já pode ser considerado o maior em atividade no Brasil. Outro destaque fica com o guitarrista Andreas Kisser. Composições como “Isolation” e “Means to an End” mostram o arsenal de riffs que o músico consegue tirar da cartola.


Derrick Green consegue, ainda, surpreender ao cantar com vocal limpo em “Agony Of Defeat”, uma surpresa, ainda mais em uma banda calcada no peso e na agressividade como é o Sepultura.


Música de destaque: “Agony Of Defeat





8- “Open Source” – Kiko Loureiro


No mundo da programação, “código aberto” é quando um software é oferecido no mercado de forma que o usuário possa estudar e modificar esse código a seu bel-prazer. “Open Source”, tradução do termo para o inglês, por sua vez, é o nome do sexto álbum solo do guitarrista brasileiro mais importante de todos os tempos: Kiko Loureiro.


E se o código está aberto, por que não esmiuçar e anexar à espinha dorsal de zeros e uns uma gama de influências que resultem nos mais diferentes estilos? Em sua banda principal, o Megadeth, Kiko está atrelado ao código do Thrash Metal e suas palhetadas para baixo em palm mute. Em sua ex-banda, o Angra, ele podia criar o próprio código, mas estava refém da expectativa dos fãs, que é aquele flerte ente o Power e o Progressive.


Música de destaque: “EDM – E-Dependent Mind





7- “Moment” – Dark Tranquility


Na reta final de 2020, os suecos do Dark Tranquility resolveram presentear os fãs com o lançamento de “Moment”, com fortes influências de alguns clássicos da banda como “Damage Done”.


Dentre os destaques do tracklist, está a música “Identical to None”, onde o vocalista Mikael Stanne canta sobre o sentimento de não pertencimento. Outra excelente faixa é a política “Falistate”, com seu refrão cativante.


Música de destaque: “Falistate





6- “Ordinary Man” – Ozzy Osbourne


Há quem diga que “Ordinary Man” será o último disco de Ozzy. Esperamos que não! Mas é inegável que o sentimento de passar a vida a limpo está presente no disco. Basta ver a letra da música que dá nome ao álbum, onde Ozzy clama por não ser esquecido. (Sem falar da participação de Elton John!).


Outros destaques ficam com as músicas “Straight To Hell” e “Under The Graveyard”, que mostram que o madman ainda está 100%, acertando nos riffs, nas melodias e na pegada geral. Resta torcer para que logo logo possamos ouvir mais do trabalho do Príncipe das Trevas!


Música de destaque: “Ordinary Man





5- “Panther” – Pain of Salvation


“A criação de “Panther” levou mais de dois anos. Senti a necessidade de ultrapassar fronteiras, tanto musical quanto sonoramente, abordando a música de ângulos mais diversos, mas sem perder a identidade central da banda.”. Após escapar da morte ao vencer uma bactéria carnívora, é assim que o convalescente Daniel Gildenlöw, vocalista/guitarrista do Pain of Salvation, define a empreitada que foi compor o 11º disco de estúdio da banda.


De fato, músicas como “Accelerator” e “Restless Boy” e “Panther” rompem totalmente com a estética do Heavy Metal e trazem elementos de música eletrônica. “Eu sei o que você está pensando / Eu devo ser o problema aqui”, constata a letra da primeira, catapultando o ouvinte para um ambiente caótico.


Música de destaque: “Panther





4- “Under a Godless Veil” – Draconian


O Draconian é uma daquelas bandas cujos discos deveriam vir com um selo obrigatório dizendo “em caso de depressão, ouça por sua conta em risco”. A maneira contemplativa e quase meditativa que os suecos cantam os mais profundos e melancólicos sentimentos humanos mexe com o emocional de qualquer um e com o novo disco “Under a Godless Veil”, a história não é diferente.


Logo em “Sorrow of Sophia” a profundidade macabra da voz de Anders Jacobsson contrasta com a suavidade opressiva e angelical do timbre de Heike Langhans. “The Sacrificial Flame” e “Lustrous Heart” mantêm uma energia pesada que em nenhum momento é suavizado, até o final do setlist.


Música de destaque: “Sorrow Of Sophia





3- “Manifest” – Amaranthe


O Amaranthe nunca percorreu trilhas desbastadas por outros e desde o começo a proposta Pop/Dance Metal dos suecos fez sucesso com uma fórmula ousada: músicas curtas e diretas, três vocalistas e melodias chiclete recheadas de riffs pesadíssimos e breakdowns no melhor estilo Death Metal. Elize Ryd se tornou uma das vocalistas mais respeitadas da nova geração e com o sexto disco Manifest, o sexteto fez pequenos ajustes na fórmula e entregou um trabalho coeso.


O maior destaque com certeza é o vocal gutural Henrik “GC6” Englund, que rouba a cena com suas linhas de rap hiper velozes, principalmente em “Boom!”, a melhor das 12 faixas. Curiosamente, essa música coloca os holofotes também no outro vocalista, Nils Molin (excelente trabalho no refrão) e Elize fica mais no segundo plano. As músicas de trabalho (“Fearless”, “Viral” e “Archangel”) já apostam na fórmula de intercalar as três vozes com letras positivas e para lá de energéticas.


Música de destaque: “BOOM!1





2- “Thalassic” – Ensiferum


Se Vikings viviam no mar e o Ensiferum é uma banda de Viking Metal, nada mais lógico do que o novo disco dos finlandeses, “Thalassic”, tratar do resultado das premissas anteriores, trazendo os mares na capa, no título (“relativo ao mar, em grego), nos títulos das músicas, e principalmente nas melodias que ora lembram guerreiros nórdicos comemorando em tavernas, ora lembram velhos marinheiros cantando histórias de mar e mitologia.


No começo, o single não é a melhor música: “Rum, Woman, Victory” é dançante e veloz, mais puxada para o melodeath. É ok, mas nada comparado com a profundidade e beleza de outras mais na frente. Por exemplo, “Andromeda” (menos previsível, vocal limpo), “Run From The Crushing Tide” (estilo contação de história) e a belíssima “One With The Sea” (melhor do disco, com uma melodia grandiosa e bonita que embala a música toda) são os grandes trunfos do disco.


Música de destaque: “One With The Sea





1- "Human : Nature" - Nightwish


Fosse a música uma Universidade, os finlandeses do Nightwish resolveram dar o braço a torcer e aceitar o resultado do teste vocacional feito anos atrás quando a banda era um adolescente vestibulando: abandonaram a complicada cadeira de Biologia que foi mais um amor de verão do que uma vocação, cursada durante o fraco “Endless Forms Most Beautiful”.


Nesse ano letivo, se matricularam em Antropologia, já pensando no título da dissertação de mestrado: “As relações entre as culturas humanas, o mundo ao redor e a natureza”. “Human :II: Nature”, o nono disco do sexteto, foi feito com a mente de Tuomas Holopainen renderizando em 100% de sua capacidade, sabendo explorar o melhor dos três vocalistas Troy, Floor e Marco e entregando uma obra que consegue se conectar perfeitamente com o ouvinte, balanceando inteligência, sofisticação e originalidade.


Música de destaque: “Endlessness