Imagem capa - Entrevista com Michalina Malisz: ‘entrar no Eluveitie foi surreal!’ por Gustavo Furtado Gonçalves Maiato
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Entrevista com Michalina Malisz: ‘entrar no Eluveitie foi surreal!’

‘Foi mágico e surreal’, confessa a jovem polonesa Michalina Malisz ao lembrar do dia em que recebeu o convite para entrar no Eluveitie, sua banda do coração.


‘Aprendi a tocar o hurdy gurdy influenciada por eles’, recorda. Ela não imaginava que logo seria a encarregada pelo exótico instrumento medieval que combina teclado com manivela – tão indispensável nos arranjos da banda.


Essa história começou em 2016, quando um desmanche ceifou 1/3 do Eluveitie – uma das maiores bandas de Folk Metal do mundo. A debandada incluiu a vocalista Anna Murphy, que acumulava a função de tocar o hurdy gurdy.


Foi então que Chrigel Glanzmann – também vocalista e principal compositor da banda suíça, conheceu o trabalho de Michalina pela internet e fez o convite que mudaria a vida dela.


‘Estudei piano por dois anos e flauta clássica por outros dez. Mas quando conheci o Eluveitie, me apaixonei pelo hurdy gurdy. Encomendei o meu e três meses depois comecei a postar covers da banda no YouTube. Era um hobbie, mas acabou chamando a atenção deles’.


A estreia de Michalina foi no disco ‘Pantheon II: Evocation’ (2017), lançado pela Nuclear Blast. O álbum tem como tema a mitologia do povo celta e trouxe canções notáveis como ‘Epona’ e ‘LVGVS’.




A entrada no Eluveitie


Michalina ingressou na banda junto com Jonas Wolf (guitarrista) e Alain Ackermann (baterista). Seis meses depois, a vocalista Fabienne Erni – que viria a ser uma de suas melhores amigas, completou o time dessa nova fase, que agora contava com nove integrantes.


’Eu não posso dizer como era antes, mas o clima entre a gente é ótimo’, explica. Parte da sensação de bem-estar de Michalina se deve ao fato de ela ter outras duas mulheres como colegas de trabalho: Nicole Ansperger (violino) e Fabienne (além de vocalista, harpista).


‘Às vezes é bom ter elas por perto para conversar assuntos de garota durante as turnês, sabe?’, diz Michalina, que completa dizendo que “não interfere em nada” o fato de um instrumento ser tocado por um homem ou uma mulher.


Além disso, sua entrada trouxe uma novidade: pela primeira vez, uma musicista seria responsável exclusivamente pelo hurdy gurdy. Antes de seu ingresso, Anna Murphy empilhava a função de vocalista.


‘Posso fazer coisas mais malucas’, comenta Michalina sobre o papel do instrumento nos arranjos. Em sua visão, as músicas ficaram um pouco mais ‘complicadas’, embora ‘não tenham mudado tanto assim’, depois que passaram a contar com um integrante destacado apenas para o hurdy gurdy.




A gravação de ‘Ategnatos’ e problemas na vinda ao Brasil


Passado o choque de conseguir o emprego dos sonhos, era hora de gravar o segundo álbum com o Eluveitie: ‘Ategnatos’ (2019), também lançado pela Nuclear Blast. O disco trouxe o hit ‘Ambiramus’ e mostrou Michalina mais à vontade.


“Apresentei algumas ideias e a banda acabou colocando no disco. Algumas partes eu improvisei na hora já no estúdio”, explica sobre seu papel na composição.


A turnê de divulgação de ‘Ategnatos’ incluía uma extensa passagem no Brasil, mas problemas com a produção levaram ao cancelamento de alguns shows. Michalina lamenta ter deixado os fãs na mão:


‘Organizamos um ´meet and greet´ para tentar compensar, mas sei que decepcionamos quem queria ver nosso show’.


Quem conseguiu assistir a polonesa em ação, percebeu uma exímia instrumentista, que não tirava os olhos de seu instrumento. ‘Eu estou sempre concentrada para não fazer nenhuma cagada!”, brinca.




Composições próprias


Conterrânea de Frédéric Chopin e Behemoth, Michalina tem maiores aspirações na música. ‘Eu não pretendo fazer participação em nenhum projeto, mas definitivamente vou lançar composições próprias ano que vem’.


A musicista explica que o material inédito pode ser classificado como algo ‘entre o rock e o folk’, e que já iniciou a composição. ‘Não será música tradicional’, revela, atiçando a curiosidade para o resultado de seu voo solo.


Quando nascer, o novo projeto será mais um fruto da árvore-mãe Eluveitie, que já entregou ao mundo o Cellar Darling e o Illumishade, formadas por atuais e ex-integrantes.


O sucesso do canal no YouTube


Quando não está nos palcos dos maiores festivais de Heavy Metal do mundo, Michalina é youtuber nas horas vagas.


‘Conheci o Eluveitie e queria ver vídeos de pessoas tocando as músicas da banda no hurdy gurdy. Não encontrei ninguém, então resolvi eu mesma fazer’.


Hoje em dia, vídeos como ‘10 riffs icônicos de guitarra no hurdy gurdy’ já atingiram 1.7 milhão de views. O que começou ‘basicamente como um hobbie’, segundo Michalina, virou um enorme sucesso.


‘Tenho o segundo maior canal de hurdy gurdy no mundo. O maior é o da Paty Gurdy’, comenta. Por fim, o destino quis que fosse justamente através de seu trabalho no YouTube que Chrigel e companhia descobrissem seu talento e paixão.


Os planos para 2021


A pandemia do novo coronavírus impossibilitou qualquer plano do Eluveitie para 2020. Mesmo que alguns festivais ainda estejam de pé para 2021, o momento é de cautela. ‘É difícil planejar agora, mas estamos compondo e queremos lançar um trabalho novo assim que for possível’.


Michalina explica que mantém contato regular com a banda por meio de reuniões virtuais, mas confessa que é com Fabi – a vocalista e sua grande amiga, que ela mantém mais contato. ‘Trocamos e-mail regularmente. Falo com ela toda semana’.


Enquanto aguarda a direção que os ventos tomarão, Michalina revela o que não tem saído de seus ouvidos: ‘A banda que mais ouvi em 2020 foi o Bad Omens. Eu ouvi também o novo disco do Bring Me The Horizon e gostei muito’, comenta.


Sem poder ver os fãs brasileiros e sem previsão de vinda ao Brasil, Michalina agradeceu o apoio e o carinho que costuma receber por aqui. Segundo ela, no Brasil as pessoas ‘são ótimas com a banda’, que ‘mal pode esperar’ para retornar.